Ferguson pede para torcida apoiar Liverpool por tragédia

As homenagens às vítimas da tragédia de Hillsborough têm movimentado o futebol inglês nos últimos dias e no que depender do técnico Alex Ferguson terão sequência neste final de semana. O treinador do Manchester United esqueceu a grande rivalidade com o Liverpool e pediu que sua torcida manifeste apoio à busca por justiça quando as duas equipes se encontrarem neste domingo, no estádio de Anfield Road.

AE, Agência Estado

21 de setembro de 2012 | 16h01

Antes da partida, uma carta assinada pelo técnico será distribuída entre os torcedores do Manchester, justamente pedindo apoio ao rival. "Nosso grande clube está ao lado dos nossos vizinhos Liverpool hoje (domingo) para lembrar esta perda e pagar o tributo em sua busca por justiça. Eu sei que posso contar com vocês para nos apoiar, com as melhores tradições dos maiores torcedores", escreveu o treinador.

A tragédia de Hillsborough aconteceu em 1989, quando 96 torcedores do Liverpool morreram durante a partida contra o Nottingham Forest, pelas semifinais da Copa da Inglaterra. Ao contrário do que foi divulgado na época, um relatório apontou, na semana passada, que o incidente não foi ocasionado pelo mau comportamento da torcida, mas sim por negligência das autoridades e más condições do estádio.

Desde que o documento com estas revelações foi divulgado, diversos clubes prestaram homenagens ao Liverpool, inclusive seu principal rival local, o Everton, em partida contra o Tottenham. Durante confronto diante do Wigan, no entanto, alguns torcedores do Manchester United provocaram o rival cantando uma música que continha os dizeres: "sempre as vítimas, a culpa nunca é de vocês".

A reação foi mal recebida por toda Inglaterra, inclusive pelo próprio Manchester United. "Nossa rivalidade é baseada na determinação de estar sempre no topo", apontou Ferguson. "Não é, e nunca deveria ser, baseada em ódio pessoal. Apenas dez dias atrás nós ouvimos a terrível, condenável verdade sobre a morte dos 96 torcedores, que foram ver seu time e nunca voltaram. O que aconteceu deveria despertar a consciência de todos ligados ao jogo", completou.

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