Festa da Ponte toma conta de Campinas

A festa pela vitória da Ponte Preta foi comemorada mais do que um título, neste domingo, em Campinas. O medo das gozações dos rivais bugrinos serviu como motivação para os torcedores invadirem o gramado. Muitos deles não sabiam o que fazer de tanta alegria. Andavam de joelho de um lado para o outro. Se abraçavam, beijavam e tiravam os uniformes dos jogadores. No ano de uma das piores campanhas da Ponte, os torcedores renovaram a alma depois de escapar da vergonha do rebaixamento.Uma das pessoas mais felizes com a permanência da Ponte Preta na Série A do Brasileiro era o capitão Coelho. Comandante dos 250 soldados envolvidos na segurança do ?duelo da morte? com o Fortaleza - 2 a 0 para o time da casa -, ele constatou ao final do jogo que o seu efetivo não seria suficiente para conter os 19 mil torcedores que estavam eufóricos no estádio Moisés Lucarelli. Da mesma maneira que cerca de dois mil ponte-pretanos invadiram o gramado para comemorar a permanência do time na primeira divisão, os 250 PMs não os conteria se quisessem agredir jogadores ou o árbitro em uma possível queda do time. Ainda bem que a tensão da galera foi descarregada batendo forte os tambores e fazendo carnaval. ?Se a Ponte caísse, ninguém nos segurava. Que polícia o quê? Eu quero mais é tirar a roupa do Adrianinho e andar de joelho no gramado. Esta festa é minha. Ninguém me segura?, gritava, histérico, Rogério Afonso, beijando a sua camisa da Torcida Jovem da Ponte Preta. Um soldado da PM tentou segurá-lo no alambrado, chegaram vinte membros da torcida. Todos riram do policial e invadiram o gramado. Os deuses do futebol estavam do lado da polícia.A torcida da Ponte Preta é a mais violenta do interior do futebol paulista. Demonstraram isso parando com pedras e latas de cerveja o ônibus que conduziu o time do Fortaleza ao estádio.?Eu mandei os nossos 12 seguranças descer do ônibus e enfrentar a torcida. Só a polícia não iria dar conta, não?, confirma o chefe da segurança do Fortaleza, André José. Graças à sua amizade com o treinador Márcio Araújo, ele fez a sua empresa de segurança proteger a equipe cearense neste domingo por módicos R$ 1.500, preço promocional.Parecia provocação, mas quando o Fortaleza chegou ao estádio, dez modelos tratavam de dar flores aos jogadores do time cearense. Era um sinal de paz com desejo que as rosas fossem usadas no ?funeral? depois do jogo.Para variar, a torcedora-símbolo da Ponte Preta, dona Conceição, estava histérica antes e depois do jogo. ?Esse time é minha vida. Não poderia cair para a segunda divisão porque não teria dinheiro para voltar. Iria ser uma tristeza que poderia me matar. Mas os meninos salvaram a minha vida. Vou ficar muito tempo por aqui para evitar que esse clube perca o seu caminho vitorioso. Esse Campeonato Brasileiro já foi um aviso. Eu não quero ficar de novo com medo de enfarte?, dizia a simpática senhora, de 66 anos.Ao final da partida, os jogadores da Ponte Preta não tiveram como escapar dos torcedores que faziam questão de só deixá-los de calção. Outros roubaram as redes e, como estavam em pequeno número e desunidos, tomaram umas cacetadas dos policiais.A Ponte Preta tem R$ 8 milhões de dívidas. Não tinha condição de oferecer nenhuma premiação especial pela sobrevivência. Ao contrário do time cearense. Empresários locais chegaram a fazer uma ?vaquinha? oferecendo R$ 200 mil pela sobrevivência na primeira divisão. Mas não houve jeito de os atletas chegarem perto desse dinheiro.Após o jogo, os fanáticos ponte-pretanos seguiram em caravana pelas ruas de Campinas. A idéia era buzinar muito e avisar os rivais do Guarani: a Ponte estava salva.

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