Festa do Etti Jundiaí vira pesadelo

Os torcedores do Etti programaram uma festa para ontem à tarde, no Estádio Nicolau Alayon, na capital. O plano era vencer o Nacional no tempo normal ? ou empatar e ganhar nos pênaltis ? para comemorar o acesso à Divisão Principal do Campeonato Paulista. Deu tudo errado. O time foi derrotado por 1 a 0, gol de Nei Bala, e no fim da partida a arquibancada do estádio virou uma batalha. A confusão começou logo após o apito final do fraco árbitro Cléber Wellington Abade. Irritados com o mau resultado, dois torcedores pularam o alambrado e invadiram o campo. O zagueiro Anderson, do Etti, ainda tentou impedir que os policiais partissem para cima dos torcedores. Mas só conseguiu causar estranhamento entre seguranças de ambos os times. Já era tarde e, fora do gramado, a confusão estava armada. Os PMs do 2.º Batalhão de Choque empurravam e davam cacetadas nos torcedores mais exaltados. Enquanto a diretoria do Etti colocava os jogadores para dentro do vestiário e fechava a porta, o público, que saiu de Jundiaí para vibrar com a virtual conquista, era encurralado pelos policiais. E eles não faziam distinção. Tanto que a sobrinha de Fábio Gomes, titular da equipe de Giba, foi levemente agredida. Roseli Gomes saiu chorando e assustada com o que viu. Dificilmente terá coragem de continuar apoiando o tio, pessoalmente, pelos estádios de São Paulo. Denílson, um torcedor de meia idade, também ficou estarrecido. Um pouco tonto e sangrando muito, apenas repetia: ?Eles me bateram de cacetete dentro do ônibus. Foi um policial. Dentro do ônibus.? Denílson sofreu um corte no supercílio. O caso de Fabiano Marigo foi mais grave. ?Eles me bateram. Os PMs me bateram. Foi muito ruim.? Na cabeça, uma faixa enrolada servia como curativo improvisado para um machucado, resultado de uma queda durante a correria. Para piorar a situação, não havia ambulância. Farah foi lembrado Não é para menos que um coro contra Eduardo José Farah, presidente da Federação Paulista de Futebol, passou a ser ouvido. ?Isso é culpa do Farah. Isso é culpa do Farah.? A reclamação era contra a falta de condições ideais para um jogo que poderia definir o acesso à Série A-1 de 2002. A PM concordou com a precariedade do estádio. ?Não é adequado para receber uma partida como esta. Não existem entradas suficientes, os banheiros são junto para as duas torcidas. Não é o ideal?, avaliou o tenente Alexandre Vilariço, comandante da operação. O histórico do estádio não é nada favorável. Em janeiro de 1992, o office-boy Rodrigo de Gásperi foi atingido por uma bomba e acabou morrendo. O confronto no Nicolau Alayon, entre São Paulo e Corinthians, era válido pelas semifinais da Taça São Paulo de Juniores. O São Paulo ficou com a vaga. Gásperi era corintiano. Ontem, segundo Vilariço, os 70 homens destacados para fazer a segurança agiram justamente para evitar o pior ? mesmo diante da perplexidade dos cerca de 5 mil torcedores e o saldo de três feridos (além de Denílson e Fabiano, um jovem chamado Anderson foi levado cambaleando para exames). ?Fomos agredidos. A torcida jogou paus e pedras nos policiais. Tínhamos de agir para não complicar. Os torcedores estavam exaltados por causa da derrota. Aí, usam o anonimato para criar a confusão?, justificou o tenente, ao ressaltar que ?três ou quatro policiais também saíram feridos?.

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