Festa do interior nos Estaduais

Volta Redonda, 15 de Novembro de Campo Bom, Ipatinga. Esses três times pouco conhecidos, pequenos, têm algo em comum: estão na decisão dos campeonatos de seus Estados. Para isso, deixaram pelo caminho clubes grandes, tradicionais. No Rio de Janeiro, o Volta Redonda roubou o lugar normalmente ocupado por Flamengo, Vasco ou Botafogo; no Rio Grande do Sul, o 15 colocou o Grêmio para escanteio; em Minas, o Ipatinga desbancou o poderoso Atlético. Ou seja, dos quatro principais Estaduais do País, em apenas um, o Paulista, disputado em pontos corridos e ganho por antecipação pelo São Paulo (Corinthians e Santos ocupam hoje o segundo e o terceiro lugares), a "zebra? não passeou. Seria um sinal da decadência dos grandes? "No Rio, os clubes grandes sofreram na Taça Guanabara porque não puderam fazer uma boa preparação. Já os pequenos estavam treinando desde o ano passado. Na Taça Rio, a situação se normalizou?, disse o técnico Abel Braga, do Fluminense, adversário do Volta Redonda na final. É um bom argumento. De fato, na Taça Guanabara três pequenos (Cabofriense, o campeão Volta Redonda e o vice Americano) chegaram à semifinal, enquanto na Taça Rio apenas um deles, o time da Cidade do Aço, colocou-se entre os quatro melhores - foi eliminado pelo Flamengo na semifinal. Mas é fato, também, que os grandes do Estado, há anos mergulhados em crise financeira, mostraram times pífios tecnicamente na competição. O melhorzinho deles, o Flu, está na decisão do campeonato. Já os pequenos do interior, com ajuda de prefeituras e empresários locais, conseguiram montar times razoáveis - algo impensável em passado recente. O Volta Redonda, do folclórico veterano Túlio Maravilha, por exemplo, revelou bons jogadores, paga em dia, dá bicho de até R$ 1 mil por vitória e dá tranqüilidade aos jogadores. "Aqui, cumprem tudo o que é combinado e a estrutura do clube é muito boa?, atesta Túlio. Em Minas, o pequeno que ocupou o lugar do Atlético é um time "menor de idade?. O Ipatinga foi fundado em 1998 e cresceu com a ajuda da prefeitura local e da siderúrgica Usiminas. Além disso, fez um convênio pelo qual tornou-se filial do seu adversário na briga pela taça de 2005, o Cruzeiro, que lhe cedeu 16 jogadores. "Ser campeão vai representar um marco para a região do Vale do Aço?, sonha o técnico Ney Franco - aliás, também emprestado pelo Cruzeiro. O Rio Grande do Sul também registra um pequeno intruso na festa. Aliás, este tipo de intromissão tornou-se comum no Estado, já que o Grêmio não decide desde 2001. E, a rigor, o 15 de Novembro de Campo Bom nem merece mais ser chamado de intruso. Esta é a terceira vez que decide o Estadual contra o Internacional nos últimos anos. Em 2002 e 2003, perdeu. "Mas agora a equipe está mais madura?, diz o confiante gerente de futebol Leandro Machado. LÁ TAMBÉM - Dois outros Estados têm times pequenos na decisão. O papão Ceará desta vez vai assistir ao Icasa brigar pela taça com o Fortaleza. Em Santa Catarina, Avaí e Figueirense caíram. Assim, o Criciúma decide com o Atlético Hermann Aichinger, da cidadezinha de Ibirama.

Agencia Estado,

07 de abril de 2005 | 09h19

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