Festival de nonsense

A celeuma em torno do Fla-Flu foi confusa do gol anulado, à ida à Justiça e ao desfecho

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2016 | 06h00

O futebol brasileiro é generoso, quando se trata de confusões, dentro e principalmente fora de campo. A capacidade que temos por aqui para criar imbróglios jamais deve ser subestimada. Se alguém imagina que já viu tudo, será surpreendido por novidades. 

A mais recente fica para o festival de nonsense que marcou o último Fla-Flu, disputado em Volta Redonda, pela 30.ª rodada. Aquele que terminou com vitória rubro-negra por 2 a 1, mas que poderia ter ostentado placar de 2 a 2, se o árbitro Sandro Meira Ricci confirmasse o gol de Henrique, marcado em impedimento.

Quer dizer, Sua Senhoria validou a bola na rede, ao ignorar sinalização do bandeirinha. Em seguida, alguém assoprou que a tevê havia mostrado a irregularidade, formou-se o bololô, até que Meira Ricci voltou atrás. Ficou o dito pelo não dito e viva são Benedito.

O passo seguinte, após a chiadeira de praxe, foi o Fluminense recorrer ao tribunal esportivo para pedir a anulação do clássico, por erro de direito. A turma do STJD aceitou a reclamação e avisou à CBF que não referendasse a partida. Assim, no lugar dos três pontos conquistados pelo Fla no suor entrou um asterisco. Por dois ou três dias, a vantagem do Palmeiras na liderança subiu de 4 para 7 pontos.

Mas poderia ter permanecido inalterada, desde que a Justiça acatasse proposta do Figueirense, que pegou carona com o Flu e também queria apagar a derrota por 2 a 1 para o líder, igualmente sob o argumento de erro de direito. A falha? Um arremesso em favor do Palmeiras teria passado por fora da linha lateral. Essa o STJD recusou de cara.

A pantomima prosseguiu com o recuo do tribunal na pendenga iniciada pelo tricolor. O procurador repensou o caso e concluiu que não havia razão para levar a história para análise do Pleno. Para tanto, teria contribuído depoimento de Meira Ricci, segundo o qual a iniciativa de anular de vez o gol lhe ocorreu após ouvir o auxiliar que estava do outro lado! Ou seja, não confiou no bandeirinha que acompanhava a jogada, mas levou em consideração os olhos de lince de quem viu de longe.

Isto posto, o tribunal dispôs que tudo vai bem, o Fla recuperou os pontos, o Flu choraminga porque o gol anulado não valeu (!). Ah, de quebra a Comissão de Arbitragem resolveu que os trapalhões do apito não atuam mais na Série A deste ano. Prejuízo no bolso eles não terão, porque foram receber uns trocados no Campeonato Indiano. 

E viva a zoeira!

Pelo menos, sabe-se que neste domingo Palmeiras e Flamengo terão novo capítulo na busca pela taça em duelos como mandantes. A rapaziada de Cuca recebe o Sport, com obrigação de ganhar. Pelos cálculos, se obtiver 12 pontos nas quatro apresentações em casa, disparam as chances de terminar como campeão. O Fla reabre o Maracanã, mas topa com o Corinthians, rival de peso, que vive crise de identidade e aposta últimas fichas na possibilidade de cavar boquinha no G-6 e ir para a Libertadores. Outro nonsense: tem palestrino a torcer pelo Timão, que pode ajudar seu time por tabela.

PLANEJAR 2017

A propósito de Corinthians, e de São Paulo, por que não?: ambos precisam acelerar planejamento para a próxima temporada desde já. Nada de esperar que venham as férias para colocar no papel, e em prática, estratégias para os próximos desafios. As diretorias têm obrigação de definir o que pretendem, com elencos e comissões técnicas, para evitar vexames e decepções acumulados em 2016.

O São Paulo necessita de reformulação ampla. O grupo de jogadores é dos mais fracos de sua história recente, está aquém da tradição e das exigências de um clube que tem só uma conquista em oito anos. Nessa mexida, deve entrar a situação de Ricardo Gomes, que ainda não emplacou.

O Corinthians aparentemente contará com Oswaldo de Oliveira, se superar resistência de parte de torcida. O plantel carece de peças melhores, pois é fraco. A dúvida: onde arranjar dinheiro para investir?

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