Nilton Fukuda/ Estadão
Nilton Fukuda/ Estadão

Ficar agachado é fundamental para sobreviver, dizem especialistas

Sobreviventes fora da UTI declaram que estavam em posição fetal na hora do acidente da Chapecoense

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2016 | 15h07

Permanecer sentado com a cabeça entre as pernas e protegê-la com o braço provavelmente foram atitudes decisivas para que seis pessoas tenham sobrevivido à queda do avião da Chapecoense. A afirmação é feita por especialistas em segurança de aviação ouvidos pelo Estado. Todos garantem, no entanto, que a adoção das medidas de segurança não impede que o acaso tem uma influência importante em acidentes aéreos.

Todos os sobreviventes ainda estão hospitalizados, alguns sedados e entubados. Os únicos que até agora confirmaram a estratégia de sobrevivência foram os tripulantes Erwim Tumiri e Ximena Suárez. "Sobrevivi porque segui os protocolos de segurança", declarou o boliviano, ainda no caminho para o hospital. "Diante da situação, muitos se levantaram dos assentos e começaram a gritar. Coloquei uma mala entre as pernas e fiquei em posição fetal, como é recomendável em acidentes", disse comissário.

Jorge Barros, tenente coronel da reserva da FAB e especialista em segurança de voo, explica que a posição fetal ajuda a diminuir o tamanho do corpo e, portanto, reduz a área de impacto. Além disso, protege a coluna cervical no momento da desaceleração. "Por isso, crianças tem mais chances de sobreviva que os adultos. O ideal é fazer uma bolinha com o corpo", compara o comandante.

A maneira como a aeromoça Ximena Suárez conseguiu se salvar indica que ela se manteve agachada. De acordo com Víctor Hugo Marulanda, presidente do Atlético Nacional, que fez visita aos sobreviventes na clínica Somer de Rionegro de Antioquia, Ximena deixou avião rastejando. A informação foi publicada pelo jornal boliviano El Deber. "Ela acordou na hora do impacto e saiu do avião rastejando até a montanha mais próxima", disse o treinador.

Para os especialistas, manter a posição fetal é mais importante que a localização do assento dentro da aeronave. Não existe comprovação científica de que se sentar na parte traseira do avião, por exemplo, aumenta as chances de sobrevivência em caso de acidente aéreo. A tripulação costuma ocupar os bancos traseiros ou dianteiros nas aeronaves, nas proximidades das saídas de emergência. Ainda não existem informações precisas sobre o assento que os sobreviventes ocupavam. "Estudos mostram que não há diferença entre se sentar na frente ou atrás", explica Rodrigo Spader, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas.

Os especialistas afirmam, no entanto, que a adoção das medidas de segurança não impede que o fator impoderável, o acaso, seja determinante. "Podemos considerar que é um milagre que existam sobreviventes", declarou Rodrigo Spader.

Além dos dois tripulantes, também sobreviveram o lateral Alan Ruschell, o goleiro Follmann e o zagueiro Neto, além do jornalista Rafael Henzel. Os tripulantes bolivianos são os únicos que não estão na UTI e apresentam "boas condições", de acordo com o hospital. Nesta quinta-feira, a Chapecoense informou que os jogadores não correm risco de morte. O caso mais grave é do goleiro Jackson Follmann, de 24 anos, que teve a perna direita amputada e corre o risco de perder o pé esquerdo. 

O lateral Alan Ruschel foi submetido a uma cirurgia na coluna vertebral que, no momento, não compromete sua mobilidade. Ele está sedado e entubado. O zagueiro Neto, o último sobrevivente a ser resgatado, está sedado. Os médicos tentam recuperar função pulmonar prejudicada por trauma no tórax. O jornalista Rafael Henzel teve um trauma no tórax, além de uma fratura de perna, mas as perspectivas são otimistas. Nesta quinta-feira, ele abriu os olhos e tentou se comunicar.

 

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