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Fiel da balança

Está nos pés do Santos reabrir briga pelo título. Para tanto, tem de barrar o Corinthians

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2017 | 03h00

O Santos deu rateadas no Brasileiro. Nas últimas rodadas, tem andado em marcha lenta, com a coleção de quatro empates que não o fizeram avançar na classificação. Com 38 pontos, permanece no bloco de cima, porém com distância razoável atrás do Grêmio, o segundo colocado, e um bocado longe do líder Corinthians (50).

Pois bem, hoje joga cartada decisiva, para seu futuro e o dos demais concorrentes. O desafio é brecar o Corinthians, no clássico da tarde, na Vila Belmiro. Levir Culpi e rapazes têm a obrigação de ganhar, se quiserem ter ainda veleidade de chegarem ao título. Sem conversa de meio-termo. Novo empate será desastroso e o transformará em figurante.

Na teoria, o momento é adequado para forçar a reviravolta. Raras vezes o adversário esteve vulnerável como agora. Em três partidas no returno, os corintianos caíram duas vezes, em casa, e fizeram 1 a 0 na Chapecoense, em Santa Catarina, com gol de Jô na bacia das almas. Ou seja, o esquema imbatível empregado por Fábio Carille, na primeira parte do campeonato, mostra rachaduras. O Corinthians não é um bloco monolítico impossível de perfurar.

O problema está no Santos. Levir não fez o time deslanchar desde que substituiu Dorival Júnior. Certo que lhe deu maior estabilidade e o recolocou na rota da briga pela taça da Libertadores, apesar de não ter mostrado mesmo sucesso na Copa do Brasil. No entanto, falta o “algo mais”, o toque de classe, o requinte. E sobretudo a consistência para convencer o torcedor de que se trata de um grupo confiável.

A prova pode surgir no clássico paulista com mais tempo de história. Levir abre mão de Nilmar, que seria alternativa muito boa na frente e fica fora por contusão. Em contrapartida, poucas vezes como agora teve a maior parte dos titulares em condições ideais para jogo. Dá para contar nos dedos os ocasiões em que escalou força máxima ou próxima disso. Importante que terá a espinha dorsal formada por Vanderlei, Zeca, Renato, Lucas Lima, Ricardo Oliveira e os que gravitam em torno deles.

No Corinthians, não foi aceso o farol amarelo, para usar de expressão manjada. As derrapadas domésticas, diante de rivais desesperados (Vitória e Atlético-GO), serviram para a turma de Carille botar o pé no chão. Não, ninguém desfilava com salto alto no Parque São Jorge, longe disso. O líder não é presunçoso, não tem pessoal mascarado. 

Mesmo involuntariamente, a fase extraordinária provoca relaxamento – e isso é normal. Ninguém é de ferro. Com tantas vitórias e alguns empates enfileirados, o ego infla e ocorrem descuidos, como as duas derrotas. 

Houve turbulência técnica, e aqui cabe uma observação. Os corintianos finalmente foram atingidos pelas baixas forçadas. Até nisso se viam privilegiados; ninguém se machucava, raras as suspensões. Os sobressaltos vieram, com as mexidas na equipe e com a oscilação no desempenho de gente como Rodriguinho e Jadson, duas das referências do elenco. Outros também baixaram um tanto no nível. 

Em resumo, o Corinthians entra na fase de maior provação. Com um detalhe óbvio e que pode passar batido por causa dos recentes tropeços: não está em crise, não se encontra atrás dos outros. Ao contrário, se mantém na frente, depende só de seus esforços para continuar com a Série A sob controle. Tem de encarar o momento atual como consequência das dificuldades do torneio, dos desdobramentos da temporada. Não deixar-se dominar por complexo de inferioridade. Alto lá!

“Medalha de lata”. Na crônica de quarta-feira, a respeito dos problemas de Carlos Nuzman com a MPF, escrevi que, em 2009, o prefeito do Rio era César Maia. Vacilo:o alcaide na época da escolha da sede olímpica para 2016 era Eduardo Paes. 

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