Fiel ignora Citadini e vai ao Pacaembu

Os corintianos ignoraram a atitude antipática do vice-presidente de futebol, Antônio Roque Citadini, que proibiu a entrada dos torcedores e sócios para acompanhar os treinamentos do time durante a semana no Parque São Jorge. A vontade de acompanhar uma partida do Corinthians após um mês de recesso forçado foi maior do que o decreto do dirigente. Os torcedores estavam curiosos para ver se o time havia evoluído depois de 30 dias sem jogar uma partida oficial. Nesta quarta-feira, todos pareciam ter esquecido do inferno astral da equipe dos últimos meses. Os corintianos só pensavam em torcer e empurrar os jogadores. Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão Nove e os torcedores das numeradas se mostravam sedentos por gritar gol. O movimento supreendeu até mesmo os policiais, que atrasavam a entrada dos torcedores com a rigorosa revista. Já passava dos 20 minutos e os torcedores continuavam chegando. No total de público, 8.280 torcedores compareceram ao Pacaembu. Porém, o desempenho da equipe dentro de campo não empolgava em nada os torcedores das numeradas. Apenas as organizadas cantavam e gritavam sem parar. Mas não demorou muito para todos perceberem que nada havia mudado desde a última vez que o Corinthians jogara no Pacaembu. O jogo amarrado, com bicões para os lados não era o que a torcida queria ver. A paciência durou até os 30 minutos. Um passe completamente errado de Fininho tirou os torcedores do sério, que chiaram até o final do primeiro tempo. Os gritos de apoio deram lugar a uma série de xingamentos, a cada passe errado ou jogada grotesca. A tensão estava estampada no rosto de cada torcedor. O Pacaembu silenciou em um contra-ataque do Fortaleza, desperdiçado por Rinaldo. Quando o Corinthians atacava, o torcedor parecia querer ter a bola nos pés para fazer o que os jogadores não conseguiam: chutar em gol. A aparente sonolência de Oswaldo de Oliveira a beira do campo contribuía para a irritação dos corintianos. O único momento de vibração foi no gol do Goiás sobre o rival Palmeiras. Na última vez que o Corinthians jogou no Pacaembu, em 14 de março, os torcedores saíram revoltados e decepcionados. Depois de o time apanhar em campo da Portuguesa Santista (1 a 0), pela última rodada da fase classificatória do Campeonato Paulista, os torcedores foram obrigados a permanecer no estádio até que o placar eletrônico confirmasse a vitória do São Paulo sobre o Juventus. O resultado do rival livrou o Corinthians do descenso. O protesto das organizadas continuou do lado de fora do Pacaembu e os jogadores e a comissão técnica só deixaram o estádio após duas horas de negociação entre a Polícia Militar e membros de torcidas organizadas, em sua maioria da Gaviões da Fiel. Depois do fiasco no Paulista, os protestos continuaram, culminando com a chuva de ovos no Aeroporto de Cumbica, quando os jogadores embarcavam para enfrentar o Ferroviário, em Fortaleza, no dia 16. No dia seguinte, uma vitória por 2 a 0 sobre o time cearense classificou o time de Parque São Jorge para as oitavas-de-final da Copa do Brasil. Em conseqüência, um intervalo de quase um mês de treinamentos.

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