Fiel pede para Passarella ir embora

A torcida corintiana foi em número maior ao Pacaembu, arriscou algum otimismo e tentou passar por cima da crise. A cada gol do São Paulo, tornou-se mais calada. As vaias, de início, não foram muitas, apenas moderadas, quando anunciado o nome do técnico Daniel Passarella. Na metade do segundo tempo, porém, explodiram de raiva. Alguns corintianos invadiram o campo e meio Pacaembu pediu, em coro, "Passarella fora do Timão!" Depois disso, o efetivo da Polícia Militar teve muito trabalho e montou uma barreira humana entre a torcida e o alambrado para evitar novas invasões. "O Passarella vem mostrando que não serve para comandar um clube brasileiro, não sabe como as coisas funcionam aqui. Ele é o maior culpado das derrotas", desabafou Rogério da Silva, de 23 anos, técnico em informática. "Acho que ninguém faz corpo mole de propósito, principalmente num clássico, mas não estão entrando com a mesma vontade, a mesma motivação." Os são-paulinos, mesmo em menor número, foram se acomodando, tomando conta do estádio. Primeiro timidamente, mas depois de forma aberta, também arriscaram seu coro ao treinador rival: "Fica, Passarella!" POUCA GENTE - O Dia das Mães e o mau início de Campeonato Brasileiro de Corinthians e São Paulo afastaram o torcedor paulista do Pacaembu. O público foi decepcionante, especialmente tratando-se de um torneio por pontos corridos. No total, somente 17.490 pagaram ingressos. "Deixei de ir para o interior ficar com a minha mãe para ver o Corinthians. À noite vou ligar para ela", disse a comerciante Renata Cardoso Medeiros, de 33 anos, que foi ao estádio com o filho, Tales, de 9 anos, e o marido, Marco Antônio, de 40. "Venho em todos os jogos, tenho até dor de cabeça quando o time perde", completou Renata. Tales, que joga nas categorias de base do Corinthians, estava feliz com a família, até o jogo começar. "É o melhor dia das mães possível.Só falta ganhar." A tarde não foi perfeita, nem de longe, e a família foi embora mais cedo. Para eles, porém, a culpa não é de Passarella. "Ele é rígido, o Luxemburgo também. Se fosse o Luxemburgo faria o mesmo. O Roger está andando em campo e o Fábio Costa é muito mascarado", diz Renata. "O Luxemburgo ou o Leão fariam a mesma coisa. Tem que haver aceitação", concorda Marco Antônio.

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