Fiel recepciona Corinthians com frieza

Cena comum nos jogos do Corinthians neste Campeonato Paulista: as torcidas organizadas de fora, protestando contra o preço dos ingressos, e as arquibancadas praticamente vazias. Nesta quinta-feira, contra o Juventus, não foi diferente. Nem a estréia de Oswaldo de Oliveira empolgou o torcedor corintiano como deveria. O público esteve extremamente distante de seus ídolos. A primeira sensação de vazio ocorreu antes mesmo da partida, quando o serviço de alto-falantes do Pacaembu anunciou a escalação das equipes. O Juventus, anunciado na frente, até que foi acompanhado com um certo interesse pelo já habitual reduzido grupo de torcedores. Mas na hora em que a escalação do Corinthians foi anunciada, a frieza do público foi indisfarçável. Nem aplausos os jogadores ouviram, quanto mais a costumeira vibração. Mais frio do que o comportamento nas arquibancadas, só o protesto da Gaviões da Fiel, do lado de fora. O presidente da torcida organizada, Ronaldo Pinto, provavelmente ainda abalado pelo rebaixamento da sua escola de samba no carnaval paulistano, parecia sem ânimo até para escolher os seus argumentos. Praticamente repetiu o discurso das semanas anteriores. "Por R$ 20 nós vamos continuar aqui fora. É caro demais. Não temos como pagar." Na prática, porém, o protesto nasceu e morreu em frente ao portão principal do Pacaembu. Faltando 10 minutos para o jogo começar, pelo menos 500 torcedores da Gaviões assumiram o lugar de sempre nas arquibancadas. Só tiveram o cuidado de não vestir a camisa oficial da torcida, para não enfraquecer o movimento. Um deles - que pediu para não ser identificado - ainda alertou. "Se eles (da diretoria) sabem que estamos aqui, é pau na certa." A situação só começou a melhorar quando o técnico Oswaldo de Oliveira aproximou-se do banco de reservas corintiano e acenou para a torcida. Aí sim houve resposta positiva do torcedor, que gritou o nome do técnico em coro. A manifestação não foi tão grandiosa assim, mas mexeu com o treinador. "Tenho uma lembrança muito grata da torcida. Esse é um dia muito importante na minha carreira", sintetizou o treinador, que chegou ao Pacaembu muito preocupado com os desfalques na sua equipe.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.