EFE
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Justiça suíça autoriza extradição de mais um cartola preso da Fifa

Dos sete dirigentes detidos em maio, quatro responderão nos EUA

Jamil Chade, correspondente em Zurique, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2015 | 10h17

A Justiça da Suíça autoriza a extradição aos EUA de Eduardo Li, presidente da Federação de Futebol da Costa Rica preso em Zurique. A decisão ainda pode ser alvo de um recurso e manda um sinal claro de que os demais cartolas acusados pelo mesmo crime, entre eles José Maria Marin, ex-presidente da CBF, devem seguir o mesmo caminho: responderão ao processo do escândalo da Fifa na justiça norte-americana.

Essa é a quarta extradição dos sete dirigentes presos no dia 27 de maio na cidade suíça e a pedido da Justiça americana. Um dos dirigentes, Jeff Webb, aceitou de forma voluntária ser extraditado aos Estados Unidos. Eugênio Figueredo, ex-presidente da Conmebol, também teve sua extradição aprovada e ainda avalia um recurso. Rafael Esquivel, presidente da Federação Venezuelana e membro da Conmebol, já teve sua extradição confirmada. No caso do brasileiro Marin, seus advogados apresentaram uma defesa baseada no fato de que não existia base legal para a extradição e que as provas eram 'frágeis'.

Segundo o inquérito dos americanos, Marin teria pedido que parte da propina relativa à Copa no Brasil fosse direcionado a ele, numa conversa gravada com o empresário J. Hawilla, da Traffic. Ele também aparece quando uma das empresas que comprou os direitos para a Copa América indica a distribuição de propinas para os dirigentes sul-americanos. Inicialmente, seus advogados indicaram que iriam recorrer da decisão. Mas agora montaram pelo menos dois cenários diferentes. Se sentirem que a sentença é 'frágil', um recurso de fato vai ser  apresentado e vão recomentar a Marin que 'aguente firme' na prisão da suíça por mais alguns meses.

Caso a decisão dos suíços dê sinais de que não estão dispostos a reconsiderar, a defesa do brasileiro acredita que apresentar um recurso seria apenas 'perda de tempo' e que apenas prolongaria a situação de Marin na prisão. O brasileiro tem um apartamento em Nova Iorque e, pela lei, poderia negociar uma fiança de R$ 40 milhões que o permitisse ficar em prisão domiliciar enquanto o julgamento corre. 

A decisão sobre Li, Figueiredo e Esquivel também reforça essa perspectiva de que Marin será extraditato. Hoje, o Departamento de Justiça do governo suíço indicou que Li é acusado de 'receber subornos por um valor de milhões'. "Estão cumpridos todos os requisitos para uma extradição", indicou o governo suíço em um comunicado em que apontou que as acusações americanas são consideradas como crime também na Suíça.

Uma fonte que esteve recentemente com Marin contou que o cartola está 'ansioso'. Sem falar inglês ou alemão, o brasileiro se comunica pouco na prisão. Ele passou os seus mais de três meses apenas lendo. Para garantir que o preso de 83 anos não se sentisse isolado, seus advogados organizaram uma agenda de três visitas semanais, apenas para manter ocupado seus dias na prisão.

Quem esteve com ele conta que já não fala mais de futebol, não pergunta nem da seleção brasileira nem do São Paulo, seu time do coração. Ri pouco, anda sério e de cabeça baixa e apenas abraça quem o visita. Os visitantes ainda tentam animar o cartola com histórias e dizem que o foco no Brasil já mudou para a CPI do Futebol e a situação de Marco Polo Del Nero, atual presidente da CBF. Para testar se ele não entraria numa depressão ou lapso de memória, seus advogados ainda mandam perguntas para avaliar suas respostas.

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