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Comitê da Fifa pede suspensão Blatter por 90 dias

Cartola, envolvido por corrupção, só voltaria para entregar o cargo

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2015 | 14h02

O Comitê de Ética da Fifa vai suspender Joseph Blatter, presidente da entidade, por 90 dias. Mas ele ainda poderia voltar para concluir seu mandato, que termina em fevereiro de 2016. A decisão final ainda precisa ser chancelada pelo juiz independente da Fifa, Hans Eckert, o que deve ocorrer até sexta-feira. Mas o próprio cartola já foi informado nesta tarde de qual será seu destino e a entidade deve ficar com um presidente interino até o final do ano.

A suspensão ao reinado de 17 anos de Blatter é um fim melancólico a um cartola que, até poucas horas, insistia que não deixaria o cargo. A decisão, porém, aprofunda ainda mais a crise. 

A Fifa já viu seu secretário-geral, Jerome Valcke, afastado, está diante de uma debandada de patrocinadores e ainda tem diversos de seus dirigentes presos na Suíça e nos EUA. O afastamento de Blatter é o ponto final de um terremoto que começou em maio, quando o FBI pediu a prisão de cartolas, entre eles José Maria Marin. 

Blatter é suspeito de crimes financeiros pelo Ministério Público da Suíça e pode pegar até dez anos de prisão por "gestão desleal" e "apropriação indevida de recursos". O Comitê de Ética decidiu que, se neste três meses Blatter for inocentado pela Justiça, a suspensão é encerrada. Enquanto isso, a entidade seria comandada por Issa Hayatou, o presidente da Confederação Africana de Futebol desde os anos 80 e um aliado incondicional de Blatter. 

Em entrevista a jornais alemães, Blatter garantiu horas antes do anúncio que não vai deixaria o cargo antes das eleições de 26 de fevereiro de 2016. "Me condenam de antemão, sem que existam provas contra mim de algum tipo de ação incorreta", disse Blatter. "Estou sendo condenado sem haver qualquer evidência de que tenha feito algo errado. Isso é ultrajante."

Blatter já não conta com o apoio dos patrocinadores e tem sido pressionado a abandonar imediatamente o cargo. Se condenado pelo Comitê de Ética da Fifa, ele poderia ser suspenso temporariamente, o que na prática daria um fim a seu mandato. "Eu sairei em 26 de fevereiro. Depois terá terminado. Mas não acontecerá nem um dia antes.Vou lutar até 26 de fevereiro. Por mim, pela Fifa. Estou convencido de que no mal aparecerá a luz e que o bem vai prevalecer", disse.

O Comitê de Ética estava dividido. Parte era da opinião que o cartola precisa ser afastado enquanto a apuração é realizada. Alguns dos membros do grupo, porém, insistem que Blatter é inocente e que, portanto, não se poderia julgar alguém antes da Justiça comum. A solução foi um "afastamento temporário" e calculado para não impedir que ele simplesmente deixe a Fifa.

Visto como um braço do dirigente suíço para eliminar seus concorrentes, o Comitê de Ética da Fifa jamais atuou contra Blatter, mesmo diante de acusações em outros casos, como na corrupção envolvendo a empresa ISL. Nesta semana, um dos candidatos ao cargo de presidente da Fifa, o coreano Chung Mong-joon, chegou a chamar o Comitê de Ética de "capanga de Blatter para eliminar seus concorrentes." 

Para adversários do suíço, a suspensão de 90 dias seria uma saída honrosa. De um lado, mostraria ao mundo que o órgão é de fato independente. Mas também permitiria que Blatter volte ao comando da Fifa para presidir em seus últimos dias de mandato, que termina em 26 de fevereiro de 2016. 

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