EFE
EFE

Fifa expulsa ex-vice-presidente Jack Warner do futebol

Cartola, que estava afastado, tem nome arrolado em sede de Copas

Jamil Chade, correspondente em Zurique, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2015 | 08h53

Um dos homens mais poderosos do futebol mundial nos últimos 30 anos, Jack Warner, foi banido do futebol de forma permanente. Hoje, o Comitê de Ética da Fifa anunciou que o ex-vice-presidente da entidade está proibido de exercer qualquer atividade relacionada com o futebol pelo restante de sua vida. Sua condenação foi decretada por causa de seu envolvimento no voto que escolheu a Rússia e o Catar para as Copas de 2018 e 2022, respectivamente. "Em sua posição de dirigente, ele foi um ator chave em esquemas de recebimento, oferecimento e aceitação de pagamentos ilegais", declarou o Comitê de Ética da Fifa em comunicado.

Warner foi bajulado por diferentes governos e candidaturas, já que tinham em suas mãos todos os votos da Concacaf, com mais de 35 países. No Comitê Executivo da Fifa, ele ainda tinha o poder de decidir as sedes dos Mundiais. Ele também foi acusado pelo FBI de ter recebido propinas para votar pelas Copas de 1998 e 2010. 

O afastamento vitalício é mais um golpe recebido pelos cartolas que, por anos, dirigiram o futebol. Warner era o braço-direito de Joseph Blatter na América do Norte até 2011, quando romperam a aliança. Desde então, ele promete "revelar tudo" o que sabe. Em Trinidad e Tobago, seu país, o cartola aguarda uma extradição aos EUA. A Fifa vive um "total derretimento" e um governo emergencial de transição precisa ser estabelecido para garantir a administração do futebol. O alerta é de Chung Mong-Joon, o magnata coreano que concorre à presidência da Fifa.

Na sexta-feira, a Justiça suíço anunciou a abertura de um processo criminal contra Joseph Blatter, sob a suspeita de "gestão desleal" e "apropriação indevida de recursos". Mas, na segunda-feira, o suíço garantiu que não deixará o cargo de presidente, que ele já prometeu entregar em fevereiro de 2016. Um dia depois, às 7 horas da manhã, Blatter foi fotografado dirigindo seu próprio carro até a sede da Fifa. Mas o Estado apurou que hoje quem governa a entidade é um exército de advgados.

Para Chung, que já foi um dos vice-presidentes da Fifa, a situação é ainda mais dramática por csausa do afastamento também de Jérôme Valcke, secretário-geral da entidade, há uma semana. "Os Jogos de Eliminatórias continuam a ser disputados para a Copa de 2018. Muitos programas continuam a ser implementados. Mas a Fifa que deve controlar isso tudo está em um total derretimento", disse. "Sob tais circunstâncias, a Fifa e as confederações regionais devem considerar a realização de uma reunião extraordinária para estabelecer uma força-tarefa para permitir que a secretaria da entidade possa funcionar".

Chung voltou a atacar Blatter e alertou que sempre lutou contra "as maneiras ilegais e opacas que ele e o senhor João Havelange dirigiam a Fifa.". Para ele, essas 'práticas corruptas voltaram para destruir a Fifa'. "A entidade vive uma crise sem precedentes", disse. "Mas isso é uma oportunidade para reformá-la", afirmou o coreano que ainda acredita que há como "salvá-la". "A tarefa mais urgente é de expulsar a corrupção". Para ele, porém, o novo presidente deve ser alguém de dentro do mundo do futebol. Ressuscitar a Fifa deve ser um trabalho daqueles que amam o futebol. O futuro não deve ser deixado a pessoas de fora.

Com 63 anos, Chung é um dos principais acionistas da Hyundai, empresa que patrocina a Fifa. Apesar de bilionário, ele defende uma entidade menos 'opulente'. "Ela deve ser transformada em uma organização dedicada a garantir aos jogadores e torcedores a experiência da alegria", insistiu. O coreano garante que, se eleito, vai ficar apenas quatro anos no poder para reformar a entidade. "40 anos de uma cultura de corrupção podem ser erradicados em quatro anos".

Além de Chung, a corrida pela presidência conta com Michel Platini, Ali bin Hussain, da Jordânia, Musa Bility, da Libéria, Zico, David Nakhid e o nigeriano Segun Odegbami.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.