Antonin Thuillier/AFP
Antonin Thuillier/AFP

Fifa abre processo contra México por gritos homofóbicos no estádio

Torcedores ignoraram os apelos da Federação Mexicana e reproduziram cantos ofensivos no jogo contra a Alemanha

Jamil Chade, enviado especial / Sochi, O Estado de S.Paulo

18 Junho 2018 | 12h02

A Fifa abriu nesta segunda-feira procedimento disciplinar contra a Federação Mexicana de Futebol por conta do comportamento da torcida do país durante o jogo de domingo, em Moscou, contra a Alemanha, na estreia das duas seleções na Copa do Mundo da Rússia. Os torcedores, apesar dos apelos dos dirigentes, voltaram a repetir cantos homofóbicos contra os jogadores adversários.

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O caso agora está com o Comitê de Disciplina da entidade que, nos próximos dias, poderá anunciar uma punição contra o time mexicano. O mais provável é que uma multa seja aplicada contra a federação. O valor, porém, será elevado caso a torcida volte a repetir o ato durante a Copa.

A Fifa havia prometido que iria agir caso uma torcida adotasse uma postura racista ou com indícios de discriminação. Segundo seu presidente, Gianni Infantino, os árbitros teriam o poder até mesmo de parar um jogo se tais atos fossem identificados. O grande temor, porém, era que isso poderia vir dos torcedores russos. Mas os primeiros a serem alvos de uma investigação são os mexicanos.

Ao longo dos últimos dois anos, os mexicanos foram punidos doze vezes pela Fifa por conta do mesmo comportamento em jogos das Eliminatórias. Foram mais de sete multas aplicadas em dois anos, elevando os pagamentos a mais de US$ 100 mil.

 

Já passou a ser constante a reação dos torcedores em chamar de "puto" (bicha) o goleiro adversário, no momento do tiro de meta. Uma marca mexicana chegou a sugerir em um comercial que o grito, ante a Copa, fosse trocado por "Putin". Mas, por um pedido da Fifa e da federação local, o comercial chegou a ser retirado do ar.

Na Fifa, as federações latino-americanas tentaram convencer a entidade que os gritos de "bicha" eram "culturais". Mas a entidade não aceitou as explicações e chegou a obrigar o Chile a jogar sem torcida.

No final do ano passado, a Corte Arbitral dos Esportes cancelou duas multas aplicadas sobre o México indicando que, ainda que elas fossem insultantes, não tinham como meta ofender pessoas diretamente.

 

 

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