Rodrigo Corsi/FPF
Rodrigo Corsi/FPF

Fifa acaba com patrocínio aos juízes de parceira do Palmeiras

Entidade obriga a FPF a cancelar o contrato com as empresas que custeavam a arbitragem no Paulista por haver conflito de interesses

Almir Leite - Colaborou Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2015 | 02h04

Durou apenas cinco dias o polêmico patrocínio de duas empresas parceiras do Palmeiras à arbitragem do futebol paulista. O acordo foi rompido ontem, depois de determinação da Fifa, que o considerou ilegal por haver conflito de interesses. A Federação Paulista teve de acatar e anunciou o cancelamento do contrato logo após divulgar horários e locais das semifinais do Estadual, que serão no domingo. Corinthians e Palmeiras jogam às 16h no Itaquerão e Santos e São Paulo se enfrentam às 18h30, na Vila Belmiro.

A Fifa acionou a FPF por meio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e evocou o artigo 15 de seu Regulamento de Organização de Arbitragem. O patrocínio a juízes e auxiliares é permitido, desde que não haja ligação alguma com clubes participantes de competições.

De acordo com o texto, "anúncios de patrocinadores nas camisas de árbitros serão permitidos somente se não criarem conflitos de interesses com nenhum dos times participantes. Caso isso aconteça, o árbitro não deve utilizar nenhum tipo de patrocínio na camisa''.

O conflito era claro no caso do futebol paulista, pois Crefisa e Faculdade das Américas (FAM), pertencentes ao mesmo grupo empresarial, também patrocinam o Palmeiras. Isso levou a Fifa a agir e, no início da manhã de ontem, chegou à FPF a determinação do fim do acordo relativo à arbitragem.

"A Fifa fez essa recomendação e a federação achou por bem encerrar o acordo. Não queremos conflito com a Fifa e assim vamos encerrar a polêmica'', disse ao Estado o coronel Marcos Marinho, presidente da comissão de arbitragem da FPF.

Marinho afirmou que nenhum clube foi contra o acordo quando ele foi anunciado quinta-feira. Além disso, segundo o presidente, ninguém mostrou descontentamento após as quartas de final, quando dois jogos registraram problemas de arbitragem.

No sábado, a Ponte Preta teve um gol legal erradamente anulado e, depois da partida, além da chiadeira do time de Campinas, o técnico Tite reclamou da falta de experiência do árbitro Flávio Rodrigues de Souza. Domingo, o Palmeiras reclamou de ter sido prejudicado contra o Botafogo por Marcelo Rogério. Ele estaria pressionado pela necessidade de mostrar que o patrocínio da Crefisa e da FAM não interferiria em seu trabalho.

Um dirigente próximo a Paulo Nobre disse ao Estado que o presidente do Palmeiras ficou "irritadíssimo'' por ver o time prejudicado no domingo e reclamou com os dirigentes da FPF por considerar que o acordo da entidade com as empresas influenciou a atuação do juiz. O São Paulo também reclamou do patrocínio à arbitragem, embora com menor voracidade.

TABELA 

A FPF cogitou marcar o jogo entre Santos e São Paulo para o sábado, mas o Tricolor não concordou. Argumentou que seus jogadores estariam muito desgastados, pois amanhã jogam com o Danubio no Uruguai pela Libertadores e terão de encarar viagem cansativa na volta de Montevidéu.

Os nomes dos quatro árbitros que participarão do sorteio para designar os dois que apitam as semifinais foram divulgados ontem. São eles: Luiz Flávio de Oliveira, Raphael Claus, Vinícius Furlan e Thiago Duarte Peixoto. O sorteio será realizado na quinta-feira, às 15h.

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