Noushad Thekkayil/EFE
Noushad Thekkayil/EFE

Fifa anuncia Infantino como único candidato à presidência na eleição em junho

Atual mandatário da entidade conta com o apoio de 190 países para permanecer no cargo

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2019 | 12h07

Com o apoio de 190 países, o suíço Gianni Infantino caminha para ganhar um novo mandato como o homem mais poderoso do futebol mundial. A Fifa divulgou nesta quarta-feira um comunicado em que anuncia que apenas uma pessoa conseguiu assinaturas suficientes para lançar uma candidatura: seu próprio presidente.

Assim, a eleição marcada para junho deste ano não será mais que uma coroação. Contra Infantino havia surgido apenas Ramon Vega, um ex-jogador suíço. Mas ele não conseguiu reunir o apoio suficiente para entrar no processo eleitoral, algo que já havia ocorrido com Zico, em 2015. Pelas regras, Vega precisava de apenas cinco apoios entre as 211 federações nacionais.

Vega, que jogou pelo Tottenham e pelo Celtic, esperava convencer membros da Uefa, críticos de Infantino, a sair em seu apoio. O concorrente havia se apresentado como o nome da "democracia e transparência", em uma corrida que iria insistir no fato de que o presidente da Fifa ter sido pouco aberto sobre os seus projetos com os demais cartolas.

No centro de seu primeiro mandato está a sua ideia de vender parte da organização dos torneios da Fifa para um misterioso fundo de investidores. Em troca de poder organizar o Mundial de Clubes e uma Liga das Nações, empresários prometiam um retorno de US$ 25 bilhões para a Fifa, cinco vezes mais do que a Copa do Mundo hoje gera.

Na Conmebol, Infantino recebeu pleno apoio e a CBF também já deixou claro que estaria ao seu lado. Na Uefa, porém, a irritação foi profunda diante do comportamento dele de não atender a algumas das exigências dos europeus e de não ser transparente sobre a origem do dinheiro que entraria na Fifa por meio desse novo fundo. Uma das suspeitas era de que os recursos fossem sauditas.

Infantino também passou a ser questionado sobre o seu plano de realizar um Mundial de Clubes a cada quatro anos, com 24 times. Os europeus temem perder o status de ter o maior torneio de clubes do mundo, a Liga dos Campeões.

O presidente ainda foi alvo de críticas quando, em 2016, demitiu os investigadores independentes da Fifa e viu vários de seus membros do Comitê de Governança renunciarem diante de seu comportamento de ingerência em assuntos de ética e transparência. Documentos ainda revelados por jornais europeus mostraram que Infantino chegou a interferir na elaboração no novo código de ética da Fifa. Mas, ainda assim, os europeus não conseguiram encontrar um nome que pudesse enfrentar o suíço com reais chances de vitória.

Com um salário de mais de US$ 1,5 milhão por ano, Infantino chegou ao poder em 2016, depois da pior crise política, financeira e moral da Fifa. Joseph Blatter, que havia permanecido no cargo por 18 anos, foi obrigado a abandonar o cargo diante dos escândalos de corrupção. O ex-jogador francês Michel Platini, que buscava a presidência da Fifa, foi banido também por irregularidades.

Agora, Infantino quer garantir que, em seu novo mandato, a Copa do Mundo do Catar, em 2022, passe já a contar com 48 seleções, o que garantiria que a renda do torneio prevista para US$ 5,6 bilhões sejam incrementada. Para isso, porém, terá de chegar a um entendimento político com o Emir do Catar e permitir que o evento possa também ocorrer em outros países da região.

Para seu novo mandato, Infantino também promete quadruplicar o dinheiro destinado para as federações mais pobres. Uma promessa que, historicamente, sempre rendeu votos.

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