Fifa anuncia medidas contra parcerias como MSI-Corinthians

Entidade promete um sistema de licenciamento de clubes e um banco de dados com todas as transferências

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2008 | 10h56

A Fifa começa a implementar uma série de medidas para evitar que o modelo de parceria entre a MSI e o Corinthians se espalhe pelo mundo. Nesta quarta-feira, a entidade máxima do futebol anunciou que uma série de nove medidas já começaram a entrarem vigor para tentar 'limpar' o futebol de corrupção, lavagem de dinheiro e apostas. "Essas medidas tem como objetivo proteger e promover o futebol", afirmou Joseph Blatter, presidente da entidade. Veja também: Pelo sexto mês seguido, Argentina lidera ranking da FifaUma das principais medidas é a adoção de um sistema de licenciamento de clubes. Pelo sistema que começa a ser implementado na Ásia e em breve estará em todo o mundo, a Fifa terá todas as informações de quem é o proprietário dos clubes e de onde vem o dinheiro. Na Europa, o sistema também já entrou em vigor. "A idéia é garantir a integridade das competições, que podem ser afetadas por mudanças dramáticas no volume de capital de origem pouco clara nos clubes", explicou a Fifa em uma nota. Como exemplo, a Fifa cita o Corinthians. "Em 2004, um empresário investiu um volume enorme de recursos em um clube sul-americano e reforçou o time de uma maneira espetacular. O dinheiro investido tinha origens suspeitas e o investimento rapidamente parou. Três anos depois, o clube foi rebaixado para a segunda divisão", alertou, se referindo à empresa do iraniano Kia Joorabchian. Outra medida tomada pela Fifa e inspirada na MSI é a maior regulação na direção dos clubes por investidores. Ao comprar jogadores como Tevez, a MSI acabou tendo influência sobre as decisões esportivas no Corinthians e isso estava claro no próprio contrato entre a empresa e o clube. Além disso, o dono do jogador pode decidir negociá-lo com um terceiro time, sem que o clube tenha qualquer interferência. Pela nova lei da Fifa, o clube será sempre o principal ator e responsável na negociação de um jogador. No caso de Nilmar, o Lyon se queixava de que nunca tinha recebido o dinheiro do Corinthians. O clube alegava que a responsabilidade era da MSI. A Fifa também decidiu adotar um novo sistema para os agentes de jogadores, que agora terão de renovar seu status de "agente da Fifa" a cada ano. A penas sobre agentes também foram reforçadas. Para completar, a entidade criou um banco de dados internacional que compilará todas as transferências de jogadores, inclusive com o valor do negócio. "O sistema mostrará de onde e para onde o dinheiro irá", afirma o presidente, que conta que apenas em 2006 25 mil transferências de jogadores foram enviadas à entidade, todas por fax. A Fifa espera que, com isso, os casos de lavagem de dinheiro entre clubes possa ser combatida. REBAIXAMENTOA Fifa ainda adotará em maio uma medida para garantir que apenas os resultados em campo possam contar para determinar se um clube será rebaixado ou promovido. O que a Fifa teme é que um grupo de investidores que já contam com um clube em uma divisão inferior compre um clube de outra divisão e simplesmente mude de liga. Isso ocorreu na Espanha com o Granada, que tentou passar da quarta para a segunda divisão. Para que esse controle funcione, porém, a Fifa admite que precisa fortalecer seu sistema de controle de apostas. O problema atingiu nos últimos anos os campeonatos brasileiro, belga, tcheco e alemão. Um acordo com casas de apostas já está em vigor para que apostas pouco convencionais em jogos das Eliminatórias para a Copa de 2010 sejam comunicados à Fifa.

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