Marcos Arcoverde/Estadão<br>
Marcos Arcoverde/Estadão<br>

Fifa calcula que relógios dados pela CBF a cartolas somam R$ 4 mi

Entidade exige que dirigentes devolvam os relógios de luxo dados pela Confederação Brasileira durante a Copa do Mundo de 2014

Jamil Chade - Enviado a Genebra, O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2014 | 09h57

A Fifa ordena que cartolas devolvam os relógios dados pela CBF durante a Copa do Mundo de 2014 como presentes, sob a ameaça de abrir processos legais contra os dirigentes que não entregarem de volta os "agrados" da entidade brasileira depois de 24 de outubro deste ano. Mas a Fifa não pune a CBF pelo ato e apenas indica que a entidade concordou em doar todos os produtos de luxo a instituições de caridade no Brasil.

No total, a Fifa estima que os "presentinhos" dados pela CBF a 65 cartolas somaria um valor de 1,6 milhão de francos suíços, cerca de R$ 4 milhões. A CBF diz que comprou os relógios por R$ 1,3 milhão.

O Estado revelou no sábado que a Fifa havia aberto um processo para investigar a situação depois que recebeu denúncias de que a CBF, no primeiro dia da Copa, entregou uma bolsa com presentes para 65 dirigentes de diversos países, inclusive ao presidente da Fifa, Joseph Blatter. 

Uma denúncia foi feita à entidade, alertando que a distribuição de presentes de luxo era proibida. A Fifa decidiu investigar o caso e, agora, determina que a CBF "não deveria ter oferecido os relógios". Os produtos de luxo eram da Parmigiani, que também é patrocinadora da CBF.

Aqueles que receberam os relógios deveria ter verificado se tais presentes eram legais e o que estava dentro das bolsas colocadas nos quartos de cada cartola. A Fifa lembrou que, pelas regras da entidade, dirigentes não podem receber presentes, salvo que tenham apenas um valor simbólico.

Agora, o Comitê de Ética da entidade decide exigir o retorno dos relógios e doará o valor a instituições de caridade no Brasil. No fim de semana, a CBF havia dito que todos os relógios já haviam sido recolhidos, o que não confere com a versão da Fifa. Ainda assim, a CBF não será punida.

Segundo a Fifa, a CBF informou que comprou cada um dos 65 relógios por cerca de US$ 9 mil. Mas, de acordo com a investigação, o preço de mercado do produto de luxo era de US$ 27 mil. 

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