Marcos de Paula/ Estadão
Marcos de Paula/ Estadão

Fifa considera normal 'salário duplo' de Valcke

Dirigente recebeu ao mesmo tempo da Fifa e da CBF em 2007, mas entidade não vê irregularidade

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2014 | 14h47

 SÃO PAULO - A confirmação pela Fifa de que o secretário-geral Jérôme Valcke recebeu salário da entidade ao mesmo tempo em que era remunerado pela assessoria dada à CBF na montagem do projeto do Brasil para sediar a Copa do Mundo, não abalou a rotina do dirigente em sua visita ao País. Nesta manhã, ele visitou a Arena Corinthians, em São Paulo, e à tarde fez inspeção na Arena da Baixada, em Curitiba, os dois estádios mais atrasados do Mundial. Seguiu a agenda normalmente e, na capital paulista, só falou de assuntos relacionados à preparação.

Em fevereiro de 2007, Valcke, na época afastado de suas funções na Fifa por seu comportamento durante a disputa entre a Visa e a MasterCard para patrocinar a Fifa (a Justiça dos Estados Unidos concluiu que o francês mentiu para as duas empresas durante a negociação), assinou contrato com a CBF no valor de 100 mil (R$ 223,5 mil, pelo câmbio atual) para ajudar na elaboração de um orçamento para a Copa de 2014. Mas continuou a receber salário da Fifa, mesmo estando afastado - voltaria ao cargo em julho daquele ano. Na segunda-feira, a entidade confirmou ao Estado que manteve os pagamentos a Valcke.

Na visita desta manhã ao Itaquerão, Valcke, após duas reuniões com representantes do Corinthians, do governo federal, do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo (COL), da Prefeitura de São Paulo e do governo estadual, concedeu rápida entrevista em que respondeu a quatro perguntas dos jornalistas, todas sobre os preparativos da Arena Corinthians para a Copa. Reiterou que o estádio estará apto para a Copa - "(a arena de) São Paulo vai ficar pronta no último minuto, mas vai ficar pronta'' -, evitou de forma veemente comparação com os atrasos ocorridos na África do Sul, voltou a reclamar do descumprimento do cronograma -"era para a obra ser entregue em 15 de janeiro''- e saiu rapidamente por conta da viagem a Curitiba.

O Estado, então, o questionou sobre a duplicidade de ganhos por meio da assessoria da Fifa, que reiterou a posição de que não vê nenhuma anormalidade na situação. "Sim, Jérôme Valcke continuou a receber salário seis meses após deixar a Fifa. Essa prática é observada contratualmente por várias empresas no mundo quando executivos deixam as companhias. Situações similares se aplicam frequentemente a técnicos e treinadores de futebol'', respondeu a entidade.

A atual viagem de Valcke pelo Brasil prevê inspeções à Arena Cuiabá, nesta quarta-feira, e à Arena Castelão, em Fortaleza, na Quinta. Na sexta-feira, após reunião de avaliação dos preparativos no Rio, voltará para a Suíça. 

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