Geoff Cadick|AFP
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Fifa dá sinal verde para testar uso de vídeo no futebol

Decisão definitiva vai ser tomada pela entidade em 2018

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2016 | 10h38

A Fifa e a International Board (IFAB) aprovam o teste do vídeo e replay no futebol para ajudar os árbitros, numa decisão histórica para o esporte e com, provavelmente, o maior impacto nas regras do futebol em cem anos. As avaliações começarão nos próximos meses e o objetivo dos dirigentes é que, em 2018, uma decisão final seja tomada.

No total, 13 federações nacionais já solicitaram a autorização para começar a testar a tecnologia, entre elas a CBF. A Copa da Escócia, Holanda e outros também já apresentaram seus pedidos. A Conmebol já indicou que quer a tecnologia já instalada para a Copa América deste ano, algo que a IFAB duvida que possa ser feito. 

Rompendo resistências de décadas, inclusive da Uefa, o anúncio foi feito neste sábado, após um encontro dos dirigentes responsáveis pelas regras do futebol em Cardiff. "Essa foi uma decisão histórica", indicou Jonathan Ford, um dos dirigentes na reunião. "Existem várias ligas no mundo que querem testar e vamos concentrar esses exames na IFAB para ter um contrôle completo sobre o tema", indicou Ford.

Protocolos serão estabelecidos para padronizar os testes e a entidade insiste que não bastará apenas colocar duas ou três câmeras em campo. Gianni Infantino, o novo presidente da Fifa, explicou que não quer apressar as decisões. Segundo ele, os protocolos dos testes terão de ser os mesmos para todos. Num primeiro momento, as avaliações não poderão ocorrer em jogos oficiais. Gradativamente, s instrumentos serão testados de amistosos. 

Quatro áreas poderão usar a tecnologia: a identificação de um gol, se foi pênalti, na distribuição de um cartão vermelho e na identificação de um jogador. Impedimentos, de uma forma geral, não serão beneficiados pelo replay. Salvo quando houver uma situação clara de gol. 

Para os dirigentes, a grande questão atual não é se a tecnologia funciona. Mas como ela deve ser usada para não causar uma interrupção de um jogo ou frear a partida. "Precisamos garantir a fluidez do futebol", disse Infantino. 

De uma forma ideal, o árbitro principal deveria ver as imagens do replay. Mas o temor é de que isso quebre o ritmo do jogo se a cada dez minutos ele tiver de deixar o campo para ver uma tela. 

Por enquanto, portanto, um assistente ficará diante de um vídeo e irá informar o juiz no centro do campo, por rádio. No futuro, a Fifa não descarta que o árbitro leve consigo uma tela. Mas dezenas de questões ainda terão de ser respondidas, entre elas como reiniciar um jogo se um impedimento que resultou num gol for marcado, como ter certeza sobre o que é uma "situação de gol". 

O que não será testado é a proposta de que técnicos possam pedir um replay de um jogada, algo que havia sido proposto pelos holandeses. Mas a própria IFAB faz seu alerta: se ficar provada que a medida pode ajudar o futebol, ela entrará em vigor. Caso contrário, será engavetada. 

ATRASO

Criticada por ter bloqueado por anos qualquer debate, a Fifa diz agora que quer liderar os testes. "Hoje, tomamos uma decisão histórica. Não podemos fechar os olhos para o futuro. Mas também não podemos colocar o jogo em risco", insistiu Gianni Infantino, o novo presidente da Fifa. "Estamos escutando os torcedores. Temos de ser cautelosos, mas vamos tomar passos adiante para que uma nova era comece", disse. 

Seu discurso era muito diferente quando ocupava, até o ano passado, a secretaria-geral da Uefa. Infantino, ao lado de Michel Platini, rejeitou a tecnologia e instaurou árbitros atrás de cada gol. Em 2012 e 2013, a IFAB já havia tratado da proposta. Mas a Uefa bloqueou. 

Questionado sobre esse seu comportamento, Infantino apenas indicou que iria "olhar adiante". Joseph Blatter, o ex-presidente da Fifa, também era contrário e, em 2010, mudou de opinião ao ver o jogo entre Inglaterra e Alemanha na Copa da África do Sul. Os ingleses marcaram um gol legítimo, mas o juiz considerou que a bola não cruzou a linha.

A tecnologia para identificar se a bola entrou ou não acabou sendo adotada. Mas Blatter avisou: "A Fifa não está abrindo as portas para o vídeo. Isso não vai ocorrer".

Outro teste que será feito é o da quarta substituição, quando o jogo for para prorrogação. Exames tem indicado a perda de qualidade de jogo e o risco de contusão para atletas. A punição tripla – pênalti, expulsão e suspensão – também vai acabar. 

 

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