AFP
AFP

Nova eleição para presidente da Fifa será   em fevereiro de 2016

Decisão é divulgada em reunião na sede da entidade

JAMIL CHADE / ENVIADO ESPECIAL A ZURIQUE, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2015 | 08h59

A eleição na Fifa vai ocorrer no dia 26 de fevereiro de 2016 e Joseph Blatter consegue se agarrar ao poder por um pouco mais. A data foi estabelecida nesta segunda-feira (20), depois de uma reunião na sede da entidade em Zurique. Os europeus, porém, exigiam uma eleição ainda em 2015 e agora terão de esperar mais sete meses para poder eventualmente assumir a entidade. 

Michel Platini, presidente da Uefa, é o principal candidato. Zico já lançou também sua campanha, além de um dirigente liberiano, Musa Bility. Nomes como o de Diego Maradona são mencionados de forma extra-oficial, além de cartolas sul-coreanos.

Blatter, atolado em uma crise de corrupção sem precedentes, venceu as eleições no dia 29 de maio, para mais cinco anos no comando da entidade. Mas, quatro dias depois, foi obrigado a anunciar que convocaria uma nova eleição depois das prisões de sete dirigentes esportivos em Zurique, entre eles José Maria Marin. 

Pressionado, Blatter convocou para esta segunda-feira uma reunião do Comitê Executivo da entidade para definir o futuro da Fifa. Marco Polo Del Nero, temendo ser preso, não viajou para a Suíça e o Brasil ficou sem voto e nem voz nas decisões desta segunda-feira. Sem a CBF, o grupo que representa o governo do futebol mundial chegou a um acordo sobre como ocorreria a transição. 

Com e eleição marcada, a questão que se abre é sobre as candidaturas. Michel Platini, presidente da Uefa, passou o fim de semana costurando sua candidatura para o cargo com as diferentes federações nacionais e regionais. Em uma tarde toda de encontros, ele recebeu no hotel Baur au Lac delegações de diferentes entidades. 

Pessoas próximas ao francês indicaram que ele teria já o apoio de quatro das seis confederações regionais, com mais de 110 votos. A Conmebol seria um deles. Mas ele não teria o apoio dos africanos, que contam com mais de 50 votos. 

No tentativa de mostrar que é um candidato “solicitado” pelas demais federações, aliados de Platini declararam nesta segunda-feira que foram alguns dos maiores dirigentes do mundo que “pediram” que ele lançasse sua candidatura. 

Num esforço para se blindar para os próximos anos, Blatter tentará eleger seu sucessor, mudar a estrutura da Fifa e, assim, enfraquecer a posição dos futuros presidentes. 

Nesta segunda-feira, Blatter apresentou sua reforma da entidade, com a promessa de que vai de fato deixar o cargo. O suíço quer que a entidade publique os salários dos executivos, que coloque um limite para os mandatos e que estabeleça uma ficha limpa para os dirigentes, todos pontos que ele jamais aceitou durante 17 anos no poder. 

A proposta é de que o Comitê Executivo seja expandido e, assim, a presença europeia seria diluída. Platini, portanto, assumiria eventualmente uma Fifa com a oposição dentro de seu governo. 

Nem todos estão de acordo com as eleições em 2016. O ex-vice-presidente da Fifa, Ali bin Hussain, emitiu um comunicado alertando que Blatter teria de abandonar o cargo “imediatamente” e abrir espaço para uma comissão independente assumir a transição na entidade. Ali, em maio, foi o único a concorrer contra o suíço nas eleições. Mas foi derrotado. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.