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Fifa apresenta denúncia contra ex-presidente Joseph Blatter por construção de museu na Suíça

Entidade máxima do futebol mundial afirmou suspeitar de 'má gestão criminosa por parte da ex-gestão e empresas designadas por ela'

Redação, Estadao Conteudo

22 de dezembro de 2020 | 10h27

A Fifa entrou com uma ação criminal, nesta terça-feira, contra o ex-presidente Joseph Blatter sobre as finanças de um deficitário museu do futebol, em Zurique, na Suíça. A entidade máxima do futebol mundial afirmou suspeitar de "má gestão criminosa por parte da ex-gestão e empresas designadas por ela" para a construção do museu.

O Fifa World Football Museum foi inaugurado em 2016 após US$ 140 milhões (cerca de R$ 720 milhões no câmbio atual) terem sido gastos na reforma do prédio de escritórios e para incluir também 34 apartamentos de aluguel.

A inauguração estava prevista para maio de 2015, quando Blatter foi eleito pela quinta vez presidente, mas foi adiada por causa de investigações de autoridades norte-americanas e suíças. O museu foi aberto em 2016.

Blatter comprometeu a Fifa a um contrato de aluguel com o proprietário do prédio, a seguradora Swiss Life, que exige o pagamento de US$ 360 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) até 2045, acima das taxas de mercado, disse a maior entidade do futebol mundial.

A Fifa também informou que uma queixa criminal foi entregue em mãos aos promotores do cantão (estado) de Zurique. "Essa auditoria revelou uma ampla gama de circunstâncias suspeitas e gestão falhas, algumas das quais podem ser de natureza criminal e que, portanto, precisam ser devidamente investigadas pelas autoridades competentes", disse o secretário adjunto da Fifa, Alasdair Bell, em um comunicado. O advogado de Blatter, Lorenz Erni, disse em um comunicado: "As alegações são sem base e veementemente negadas."

Blatter já é investigado em dois processos criminais abertos por procuradores federais. Essas investigações envolvem a Fifa pagando US$ 2 milhões ao ex-presidente da Uefa, Michel Platini, em 2011 e US$ 1 milhão para a confederação de Trinidad e Tobago.

"Dados os enormes custos associados a este museu, bem como a forma geral de trabalho da gestão anterior da Fifa, foi realizada uma auditoria a fim de descobrir o que realmente aconteceu aqui", disse Bell.

Em um relatório financeiro, a Fifa informou que "o museu teve prejuízos a cada ano, incluindo US$ 50 milhões em 2016". As contas mais recentes entidade para 2019 mostram uma receita de quase US$ 3,5 milhões do museu e despesas de US$ 6,3 milhões. No ano passado, houve um recorde de 161.700 visitantes no edifício de Zurique. Nas contas de 2018, a receita do museu foi de quase US$ 4 milhões contra US$ 12 milhões em gastos.

"É mais que tempo de o futebol mundial ter um ponto de encontro para seus milhões de fãs", disse Blatter sobre um museu originalmente a ser construído no subsolo da sede da Fifa em uma encosta arborizada. Um ano depois, o plano do museu mudou para uma reforma financiada pela Fifa de um edifício modernista de propriedade da Swiss Life.

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