Fifa deve impedir o brasileiro Rafinha de jogar pela Alemanha

Fifa deve impedir o brasileiro Rafinha de jogar pela Alemanha

Estatuto da entidade pode atrapalhar os planos do lateral-direito

ALMIR LEITE e JAMIL CHADE, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2015 | 07h33

Ao pedir dispensa da seleção brasileira, o lateral-direito Rafinha tinha a intenção de atuar pela seleção da Alemanha. Mas as chances de ele conseguir realizar o desejo não são muito boas. A pretensão esbarra no Estatuto do Fifa. Em 2005, ele defendeu o Brasil no Mundial Sub-20 e, por isso, para poder atuar por outra seleção, já teria de possuir dupla nacionalidade naquela época. Rafinha não tinha.

Na manhã desta quinta-feira, o Estado apurou que a Fifa só permitiria que Rafinha defendesse a Alemanhã se ele tivesse nacionalidade alemã, o que não tem nem tinha quando defendeu o Brasil. A Fifa informa que a regra para se defender uma seleção, de qualquer país, é baseada no conceito fundamental de "nacionalidade'. De acordo com artigo 5, parágrafo 1, do regulamento da Fifa, apenas um jogador "segurando uma nacionalidade permanente", que não é dependente de residência num determinado país, é elegível para jogar para as equipes representante da Associação desse país.

Portanto, os planos de Rafinha devem ir por água abaixo por causa da alínea 1 do artigo 8 do Anexo 3 do estatuto, de acordo com o advogado Eduardo Carlezzo, especialista em legislação esportiva. "Ele não vai conseguir a troca (de seleções). É impossível", garantiu. Ele explica que para os jogadores que disputaram torneios de seleções da Fifa nas categorias de base é permitida uma troca, desde que já tenha nacionalidade da equipe que prefira defender. Rafinha ainda não é naturalizado alemão, embora já esteja no país há 11 anos.

Carlezzo cita dois precedentes contra o lateral-direito do Bayern. O volante Fernando jogou o Mundial Sub-20 em 2007 pelo Brasil e no ano passado a Federação Portuguesa foi à Fifa para que jogasse por sua seleção e recebeu um "não". Também foi negado o pedido em 2013 da Federação Mexicana pelo meio-campo Rubens Sambueza porque ele havia defendido a Argentina no Mundial Sub-17, em 2001. "Essa jurisprudência é a grande paulada. A Federação Alemã vai ter de encaminhar o pedido à Fifa e tem de solicitar à CBF a documentação. A CBF teria de passar para a Fifa todas as partidas que o Rafinha disputou por todas as seleções. A Fifa vai checar as datas e ver que não fecha (porque ele ainda não tem a naturalização alemã)", disse Carlezzo.

A reportagem procurou Rafinha nesta quarta-feira, sem sucesso. Pessoas próximas ao jogador do Bayern de Munique consideram que Dunga o convocou para os jogos do Brasil nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018 só para que ele não viesse a defender a Alemanha - evitando o que ocorreu com Diego Costa, que optou pela Espanha e recusou uma convocação de Felipão. 

Rafinha já havia revelado publicamente sua intenção de jogar pela Alemanha. E Philip Lahm há cerca de um mês declarou que ele seria seu substituto ideal na seleção campeã do mundo. O técnico Joachim Löw já teria conversado com ele sobre essa possibilidade. Apesar disso, o lateral-direito usou sua conta em uma rede social para negar isso. "Pedi a liberação da seleção porque não me vejo disputando uma vaga na lateral e não por estar trocando o Brasil pela Alemanha", disse. Em outro trecho, escreveu o seguinte: "Estar tirando a dupla cidadania não significa que vou jogar pela Alemanha".

Dunga, em sua primeira passagem pela seleção, o levou para a Olimpíada de Pequim, em 2008. Na ocasião, Rafinha, a contragosto, teve de brigar com seu clube, o Schalke 04, para ir à China. Depois disso, o técnico nunca mais o convocou.

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