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Fifa deve recompensar a China com novo Mundial de Clubes

Anúncio de que país asiático receberá edição de 2021 do torneio será feito sexta-feira em Xangai

Tariq Panja, The New York Times

22 de outubro de 2019 | 04h30

A Fifa pretende garantir à China os direitos de sediar a versão inaugural do seu Mundial de Clubes expandido, um torneio de 24 equipes marcado para 2021 contando com algumas das maiores equipes de futebol do mundo e que deverá injetar grande soma de dinheiro para a organização.

A decisão de outorgar os direitos à China será anunciada na sexta-feira em Xangai depois de confirmada numa votação do Conselho da Fifa em sua reunião trimestral. Autoridades europeias de futebol que se opuseram fortemente a esse Mundial de Clubes ampliado quando a ideia foi lançada parecem agora estar de acordo e devem enviar um terço dos times que participação desse torneio.

O novo evento quadrienal, anunciado em março, substituirá uma competição impopular que é a Copa das Confederações, que abrangia apenas oito seleções e que nas suas versões recentes atuava como um aquecimento para a Copa do Mundo. Significará também o desaparecimento do Mundial de Clubes como evento anual no seu atual formato quando sete equipes jogarão no Catar, país que sediará a Copa de 2022, ambos os torneios este ano e no próximo.

Ao escolher a China como primeiro país a hospedar o Mundial de Clubes expandido, a Fifa estará recompensando um país que desde um decreto governamental em 2015 que tornou o futebol uma prioridade nacional tem gasto bilhões de dólares em programas de treinamento, acordos de patrocínio e investimento numa liga doméstica que tem atraído jogadores de primeira linha com os maiores salários já vistos no setor. Sediar o novo Mundial de Clubes também pode ser um estímulo no caso da proposta chinesa de sediar a Copa do Mundo de 2030, mas também forçará a Fifa a percorrer o mesmo terreno político espinhoso que recentemente provocou sérios danos à relações comerciais da NBA com a China. A Fifa não fez comentários a respeito.

Como ocorre no caso da Copa do Mundo, o continente europeu oferecerá mais clubes competidores para o evento do que as outras cinco confederações regionais. A Europa enviará oito dos 24 times em campo. A América do Sul terá o segundo maior grupo, com seis clubes competindo, e os restantes virão de outras confederações regionais incluindo três da Concacaf, órgão representativo das equipes da América do Norte, Central e do Caribe.

O novo evento deverá gerar um significativo aumento das receitas da Fifa, que tradicionalmente depende da Copa do Mundo para quase toda a sua renda. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, foi forçado a recuar de um acordo para incluir o torneio num pacto mais amplo (e inicialmente secreto) equivalente a US$ 25 bilhões (R$ 103 bilhões) com um consórcio liderado pelo conglomerado japonês SoftBank. As conversas secretas nesse sentido causaram uma ruptura pública e áspera nas relações entre Infantino e Alexander Ceferin, presidente da Uefa (União das Federações Europeias de Futebol).

Eles não se falam há um ano depois de Infantino, numa reunião em março de 2018, pedir à direção da Fifa permissão para concluir num prazo de 60 dias um acordo com um grupo que ele se recusou a identificar. Infantino queria incluir 12 clubes europeus no evento inaugural, mas acabou recuando em meio à oposição persistente da Uefa, que retirou com relutância suas objeções à ideia de um torneio ampliado.

Decidir a identidade dos participantes será o próximo passo. E com as confederações desejando assumir esse processo, ele irá gerar tanta controvérsia quanto se verificou na decisão de expandir o evento. Os oito clubes da Europa devem ser escolhidos entre os vencedores das duas principais competições de clubes europeias – a Liga dos Campeões e a Liga Europa – em cada período de quatro anos. Com base na proposta, entre as equipes participantes da Europa estarão, entre outras, as do Liverpool, Real Madrid, Chelsea e Atlético Madrid. Outras confederações enviarão os vencedores de seus próprios campeonatos continentais de clubes, mas os detalhes de como as vagas serão outorgadas implicarão muita controvérsia.

Infantino espera usar o Mundial de Clubes expandido como trampolim para melhorar a imagem de clubes fora da Europa, especialmente na Ásia e nos Estados Unidos, que sediarão a Copa do Mundo de 2026 e provavelmente o segundo campeonato expandido de clubes em 2025. /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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