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Fifa diz estar satisfeita com decisões tomadas pelos árbitros no jogo do Brasil

Cúpula da arbitragem admite que a tecnologia não vai acabar com as polêmicas e com a subjetividade

Jamil Chade, enviado especial/Moscou, O Estado de S.Paulo

18 Junho 2018 | 05h50

A cúpula da Fifa afirma estar "satisfeita" com as decisões tomadas pelos árbitros no jogo entre Brasil e Suíça, insiste que o VAR funcionou e admite apenas um erro: ter mostrado no telão do estádio de Rostov o lance polêmico envolvendo Miranda. Depois de uma revisão da partida, a comissão de Arbitragem e seu diretor não acreditam que houve uma falha evidente. Mas admitem que a tecnologia não vai acabar com as polêmicas e com as subjetividade.

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Durante o jogo, no lance que resultou no gol da Suíça, os árbitros na cabine avaliaram a cena, inclusive em câmara lenta. Mas chegaram à conclusão de que não houve uma falta sobre Miranda. Por isso, não pediram que o árbitro em campo paralisasse a partida e apenas o disseram para seguir. Ele manteve sua decisão, que também apontava para o fato de não haver uma falta.

Um dos aspectos avaliados foi o posicionamento de Miranda, que não teria sido desequilibrado na visão dos árbitros. 

Já no caso de Gabriel Jesus, o mesmo processo ocorreu. Na cabine do VAR, os árbitros reavaliaram o lance, mesmo sem que o juiz da partida soubesse. Mas optaram por não alertar o árbitro César Ramos sobre uma eventual irregularidade e indicaram que poderia seguir. Por isso, o lance também seguiu.

Fontes na Fifa ainda indicaram que usaram o "super slow replay" - uma tecnologia que permite rever a imagem num ritmo ainda mais lento - para tomar uma decisão no que se refere ao lance de Gabriel Jesus. Mas concluiu que não houve pênalti. O zagueiro abriu o braço antes de o atacante cair, segundo avaliação, o que seria um indício de que não houve a irregularidade. 

A cúpula da Fifa também ironizou os comentários no Brasil de que a decisão sobre o VAR tenha qualquer relação com política, falta de influência da CBF ou uma eventual retaliação contra a CBF. 

Na avaliação da cúpula da Fifa, o VAR não pode tirar do futebol seu caráter de contato. "Caso contrário, matamos o jogo", afirmou um dos principais dirigentes da entidade. 

A entidade também defendeu o comportamento do árbitro diante das faltas recebidas por Neymar. Na avaliação da cúpula da Arbitragem, todos os lances irregulares contra o jogador brasileiro foram apitadas e dois cartões amarelos foram dados. 

FALHA AO EXIBIR REPLAY

O erro, para a Fifa, foi ter mostrado o replay do lance de Miranda durante o jogo no estádio de Rostov. Pelas regras da entidade, lances polêmicos não podem ser colocados no telão. Mas o operador de vídeo acabou transmitindo, o que levou os jogadores brasileiros a exigirem que o árbitro olhasse para o telão. Neymar foi um dos mais insistentes. Mas Ramos se negou a virar o rosto.  

A proposta da Fifa é de que, no futuro, o operador de vídeo seja acompanhado por um árbitro para decidir o que deve ser mostrado. 

Depois de quatro dias do uso da tecnologia numa Copa do Mundo, a percepção é que um dos projetos mais ambiciosos e arriscados da Fifa - a introdução da tecnologia no futebol - por enquanto não acabou com as polêmicas no jogo.

Um dos diretores da Fifa também admitiu que existe uma orientação de que nem todos os lances devem ser alvo de uma reavaliação de vídeo, paralisando o jogo. A avaliação é de membros da comissão de arbitragem da Fifa que vem se reunindo diariamente para avaliar a situação. Ao Estado e na condição de anonimato, um dos principais nomes da arbitragem da Fifa não disfarça seu sentimento de que o uso da tecnologia não representa o fim dos debates no futebol.

Não restam dúvidas, segundo a entidade, que os números de erros poderão desabar com o uso da tecnologia. "Quando o debate é se a bola cruzou ou não a linha do gol, teremos uma ajuda fundamental", disse.

Mas, em algumas ocasiões como no caso do lance entre Miranda e o atacante suíço, a decisão continua sendo subjetiva. "Você pode ver a imagem mil vezes. Mas não há como saber se o toque foi apenas um toque ouse houve força para empurrá-lo", explicou um dos árbitros. "Do outro lado do computador, continua havendo um ser humano", comento.

Esse não foi o único caso de controvérsias. O técnico da Austrália, Bert van Marwijk, criticou o árbitro uruguaio, Andres Cunha, depois de ele optar por dar um pênalti para a França ao rever um lance pelo vídeo. "Espero que um dia haja um árbitro muito honesto", disse. O lance resultou no segundo gol da França e a vitória por 2 x 1 contra a Austrália.

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