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Fifa é acusada de dar contrato milionário sem licitação para Copa

Contrato de tevê para Copa de 2026 é alvo de denúncias

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

07 de abril de 2015 | 12h05

A Fifa vive mais um terremoto e, como já é tradição, o motivo é financeiro. Candidatos à presidência da Fifa atacam contratos de televisão dados pela entidade para a Copa do Mundo e anunciam que vão pedir investigações. Em maio, a entidade máxima do futebol realiza sua eleição e Joseph Blatter buscará seu quinto mandato.

No centro da polêmica, porém, está um contrato que a Fifa concedeu para a Fox nos EUA para que tenha os direitos de transmissão da Copa de 2026. Os adversários de Blatter, porém, exigem explicações e alertam que o processo ocorreu sem qualquer tipo de exame de propostas alternativas.

Um dos cartolas que pedem investigação é Ali bin Al Hussein, príncipe jordaniano, que concorre à eleição e é vice-presidente da Fifa atualmente. Segundo ele, não houve nem um processo de licitação nem mesmo um debate no Comitê Executivo da entidade.

A Fox pagou mais de US$ 450 milhões  (R$ 1,2 bilhão) para ter os direitos para a Copa de 2018 e 2022. Mas a suspeita é de que a ampliação do contrato milionário foi dado para a rede americana como uma compensação pela mudança no calendário mundial com a Copa de 2022. Por causa do calor no Catar, a Copa de 2022 será disputada entre novembro e dezembro. Mas, para a empresa americana, isso coincidirá com jogos decisivos da NFL.

Jèrome Valcke, secretário-geral da Fifa, indicou que "fez o que tinha de ser feito", levantando suspeitas de que a medida foi usada para evitar que a Fox entrasse com o processo penal contra a Fifa. Pelo contrato assinado, o evento de 2022 ocorreria entre junho e julho e, por isso, a empresa pagou milhões de dólares. "Quando você compra a Copa do Mundo, você pensa que ela vai ocorrer no mesmo período que ela sempre foi realizada", declarou em 2014 o presidente da Fox Sport, Eric Shanks, e que lembrou que nos EUA a concorrência por audiência é muito grande.

Para Ali, porém, a Fifa pode ter perdido "milhões de dólares" com a decisão unilateral. "Estou avaliando os detalhes e tentando entender o que ocorreu", disse. O contrato original foi fechado em 2011, quando ele ainda não era membro da Fifa. "Estamos falando de muito dinheiro que pode ter sido perdido", alertou. Ele não é o único a atacar. O presidente da Federação Holandesa de Futebol e também candidato à presidente da Fifa, Michael van Praag, qualificou a ampliação do contrato de "muito estranha".

A Copa de 2026 ainda não tem uma sede. Mas os favoritos são os americanos, onde o futebol ganhou uma nova dimensão na Copa de 2014 e com uma audiência que bateu todos os recordes.

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