Paul Ellis/AFP
Paul Ellis/AFP

Fifa e seleções já temem a fadiga de craques na Copa do Mundo

Uma vez mais, Mundial revela em campo jogadores exaustos, que penam para desenvolver ao final da temporada seu melhor futebol

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2018 | 05h00

Um esquema para permitir que craques cheguem à Copa do Mundo mais descansados precisa ser avaliado. Quem defende isso é Marco Van Basten, ex-jogador da Holanda e atual diretor técnico da Fifa

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Uma vez mais, a Copa do Mundo revela em campo craques exaustos, que penam para desenvolver ao final da temporada seu melhor futebol. “Agora, não há o que fazer. Essa é a realidade. Mas precisamos falar sobre isso no futuro para que o tema seja abordado”, indicou. 

Uma das opções seria a criação de um período de preparação mais adequado aos jogadores, já que muitos dos torneios europeus terminam às vésperas da apresentação dos atletas às suas seleções nacionais. Depois da péssima qualidade do futebol apresentado na Copa de 2002, a Fifa decidiu ampliar o número de dias obrigatórios de descanso entre o fim dos torneios europeus, em maio, e o início da preparação das seleções. 

Mas, em 2022, o calendário será radicalmente diferente. A Copa no Catar ocorrerá em novembro, no meio da temporada europeia e no término dos torneios na América do Sul. Segundo Van Basten, portanto, o impacto pode ser “bastante diferente”, com jogadores que atuam na Europa no auge ainda de sua forma durante a temporada. “Nesse caso, quem pode sofrer são os jogadores em fim de temporada na América do Sul.” 

 

No caso das partidas da Bélgica e Inglaterra, ambas classificadas para as oitavas de final, a opção por poupar jogadores é uma realidade para o confronto entre elas, hoje. Os dois times contam com seis pontos e têm os artilheiros da competição. 

“Faremos amplas mudanças no time contra a Inglaterra”, confirmou o treinador da Bélgica, Roberto Martinez. “Precisamos ter 23 jogadores em forma.” 

Romelu Lukaku, portanto, poderia ser um dos poupados, ao lado de Eden Hazard. Do lado inglês, o artilheiro da Copa, Harry Kane, poderia ser outro que assistiria ao jogo do banco. 

“Se tivéssemos sete dias para nos preparar para um jogo e depois outros sete dias para o próximo, poderia pensar em escalar os mesmos onze titulares”, comentou Martinez.

Além de Lukaku e Hazard, De Bruyne, Vertonghen e Thomas Meunier estão com um cartão amarelo cada e poderiam ser poupados para evitar uma suspensão na fase decisiva.

Gareth Southgate, o treinador inglês, vai ter de equilibrar entre manter o grupo e poupar seus atletas. “Não queremos tirar o pé do acelerador”, disse o meia Ruben Loftus-Cheek, depois dos 6 a 1 contra o Panamá. “Precisamos definir nossas prioridades”, disse Southgate.

Kane e o meia Henderson, depois de uma longa temporada com o Liverpool, poderiam ser poupados também. “Essa é uma decisão do treinador”, disse Kane, que já acumula cinco gols. “Eu quero jogar. Mas quem decide isso é ele”, disse.

Se passar pelas oitavas de final, uma das possibilidades é de que os ingleses cruzem com a seleção brasileira. 

Para Gary Neville, ex-jogador do time inglês, Southgate precisa fazer de três a quatro mudanças para a partida contra a Bélgica e evitar ter em mãos uma seleção cansada lá na frente. “Tenho visto times ingleses caírem nas quartas de final, quando entravam em campo já sem pernas”, alertou. 

 

 

 

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