Arnd Wiegmann/Reuters - 19/3/2010
Arnd Wiegmann/Reuters - 19/3/2010

Fifa espera recorde de renda com a Copa 2014

Estimativa aponta que entidade pode ter ganho 100% maior do que obteve no Mundial da Alemanha

Jamil Chade, Enviado especial de O Estado de S. Paulo

20 de março de 2010 | 10h22

Se a Copa do Mundo no Brasil vai render algum benefício real para o País ninguém sabe. Mas o Mundial de 2014 será o evento que mais dará dinheiro aos cofres da Fifa na história de mais de cem anos da entidade. O Mundial em 2014 colocará nas contas da Fifa um volume quase 100% superior ao que a Copa da Alemanha gerou em 2006. A entrada de recursos com o Brasil será ainda US$ 600 milhões (R$ 1 bilhão) maior que na África neste ano. Com tanto dinheiro, o prêmio para as 32 seleções que estarão no Brasil atingirá um valor três vezes maior que o que os times ganharam em 2002.

 

As contas foram aprovadas nessa sexta-feira no orçamento da Fifa para o período 2011-2014, em uma reunião em Zurique que contou com a presença do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Para o período 2011-2014, a Fifa prevê que terá uma renda de US$ 3,8 bilhões (R$ 6,8 bi). Mais de 95% disso é gerado com o Mundial no Brasil. Para 2010, a previsão é de que a renda chegue a US$ 3,2 bilhões. Na Copa de 2006, a renda havia sido de US$ 2,1 bilhões.

 

Jerome Valcke, secretário-geral da entidade, explicou que parte do sucesso é a atração gerada pelo futebol no campo de negócios. Segundo ele, os acordos comerciais assinados entre a Fifa e empresas para o Mundial de 2014 já superam o que a entidade havia fechado quatro anos antes da Copa de 2010. Cerca de US$ 2,2 bilhões serão lucrados com a venda de direitos de transmissão. O restante virá de acordos comerciais. "Brasil e África do Sul são dois mundos separados. O que vemos como empresas no Brasil não é o que vemos na África do Sul. A economia brasileira é sólida e resistiu bem à crise." Segundo ele, vários acordos comerciais já fechados com empresas ainda estão sem ser anunciados. Mas serão revelados nos próximos meses.

 

Bilionária, a Fifa também investirá mais no Brasil que na África do Sul. Segundo o orçamento, a entidade gastará com o evento no País cerca de US$ 1,38 bilhão, mais de US$ 300 milhões do que na África do Sul.

 

As 32 seleções receberam um pacote de US$ 454 milhões em prêmios, o maior da história. Para 2010, o prêmio será de US$ 420 milhões. Já na Alemanha em 2006, o total foi de US$ 261,4 milhões. Em 2002, no Japão, o prêmio foi de US$ 154 milhões.

A operação de TV será o segundo maior gasto, com US$ 228 milhões. Só em escritórios no Brasil a Fifa gastará US$ 16 milhões.

 

PREOCUPAÇÕES

Mas nem tudo é motivo de tranquilidade para a Fifa em relação ao Brasil. Ao Estado, Valcke já tinha alertado que a Fifa irá modificar a forma de vender ingressos para garantir que todas as 64 partidas tenham lotação esgotada. Para a Copa de 2014, 75% dos ingressos foram vendidos e a Fifa não disfarça o desespero. Outra preocupação é a de garantir que turistas estrangeiros viagem ao Brasil em 2014. Na Copa de 2006, a Alemanha recebeu 2 milhões de turistas. Já em 2010, o número não deve chegar a 350 mil.

 

"Temos de garantir que os torcedores de seleções europeias tenham como viajar ao Brasil", disse Valcke. Ele defende a criação de conexões não apenas a São Paulo e Rio, mas também voos diretos para as demais cidades que receberão jogos. "Precisamos aprender com os erros da África do Sul para evitar que eles se repitam no Brasil."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.