Arnd Wiegmann/ Reuters
Arnd Wiegmann/ Reuters

Fifa estuda investir R$ 7,8 bilhões para socorrer o futebol mundial durante crise do coronavírus

Entidade mostra preocupação com uma possível crise financeira nas equipes em razão da pandemia

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2020 | 14h42

A Fifa confirmou que estuda criar um mecanismo para ajudar o futebol mundial durante a crise causada pela pandemia do novo coronavírusA entidade máxima do futebol apresentou um plano para colocar à disposição cerca de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,8 bilhões) das suas reservas e fundos emergenciais com o intuito de proporcionar um auxílio à comunidade do futebol por todo o mundo a fim de superar possíveis perdas causadas pela paralisação de campeonatos.

"O valor reflete sobre as possibilidades de proporcionar uma ajuda à comunidade do futebol por todo o mundo", informou a Fifa em comunicado enviado à agência de notícias AFP. Em todo o mundo, a maioria das ligas nacionais está paralisada. Apenas continuam em disputa campeonatos de países pouco expressivos, como Nicarágua, Bielo-rússia e Burundi.

A criação desse mecanismo de auxílio já é resposta de um grupo de trabalho criado em 18 de março na entidade. Um dia depois do anúncio do adiamento da Eurocopa de 2020, a Fifa reuniu membros da entidade e confederações de futebol pelo mundo para estudar o impacto da crise do coronavírus sobre o futebol. A preocupação recai principalmente sobre as quedas de receita com bilheteria, cotas de televisão (PPV), patrocínio e consumo de produtos.

Estudo divulgado recentemente pela consultoria KPMG avalia que o possível cancelamento do calendário do futebol europeu pode causar um impacto de R$ 20,9 bilhões nas cinco principais ligas europeias: Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França. O reflexo da crise será sentido também nas contratações de jogadores, já que os clubes terão menos recursos para trazer reforços.

A Fifa sinalizou ainda a criação de um "potencial fundo de apoio". Os detalhes sobre este projeto devem ser anunciados somente nos próximos dias. O formato da operação, assim como a distribuição do recurso funanceiro, está em estudo pelos membros da Fifa, junto com confederações nacionais e os patrocinadores da entidade.

Na semana passada, o presidente Gianni Infantino avisou que o mundo do futebol deve se preparar para o pior dos impactos causados pela pandemia, mas que a entidade fará de tudo para ajudar. "Todos teremos de fazer sacrifícios. Saúde primeiro e depois tudo o mais. É esperar o melhor e se preparar para o pior. Sem pânico. As Federações e Ligas devem seguir as recomendações dos governos", afirmou o dirigente.

Enquanto a Fifa se organiza para ajudar o futebol, os principais clubes do mundo têm se mobilizado para reduzir salários. O Barcelona aceitou ter desconto de 70% nos vencimentos para evitar um prejuízo maior. Na Alemanha, os jogadores de Bayern de Munique e Borussia Dortmund aceitaram receber 20% menos durante o período da crise. Já na França, Olympique de Marselha e Lyon acordaram com os respectivos atletas desconto de 30% nos salários.

No Brasil os acordos têm sido costurados em cada clube. A única determinação fechada em âmbito nacional é a adoção de férias coletivas de 20 dias a partir de 1º de abril. Depois desse prazo, é possível que cada equipe dê mais dez dias de descanso para seus jogadores.

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