Maxim Shemetov/Reuters
Bebeto ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino, e ex-jogador francês Trezeguet Maxim Shemetov/Reuters

Fifa exclui Brasil do Tour da Taça da Copa do Mundo da Rússia

Entidade alega que pretende levar troféu a novos territórios, mas interesses comerciais pesaram na decisão

Raphael Ramos e Jamil Chade / CORRESPONDENTE EM GENEBRA, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2017 | 07h00

O troféu da Copa do Mundo deixou o Museu da Fifa, em Zurique, na Suíça, para visitar até junho do próximo ano 50 países em seis continentes, além de 24 cidades na Rússia, mas não passará pelo Brasil. Será a primeira vez desde que o Tour da Taça teve início, antes do Mundial de 2006, que o troféu mais cobiçado do planeta não visitará o único país pentacampeão.

Em nota enviada ao Estado, a Fifa justifica que o Brasil foi excluído da turnê mundial porque o País sediou o último Mundial. “Infelizmente, não podemos parar em todas as cidades em todos os países, mas sabemos que alcançaremos milhões de fãs de futebol ao longo da rota que planejamos. Como o país anfitrião da Copa do Mundo de 2014, o Brasil foi amplamente visitado durante a última edição do Tour da Taça”, alega a entidade.

Ainda de acordo com a Fifa, o objetivo é levar o troféus a novos territórios. “Em 2018, passaremos em 24 novas federações de futebol que nunca foram visitadas antes, enquanto tentamos garantir a maior presença global possível.” A Fifa não divulgou o custo da turnê, que passará pelos países que sediaram os últimos sete Mundiais, com exceção do Brasil: México-86, Itália-90, Estados Unidos-94, França-98, Japão-2002, Alemanha-2006 e África do Sul-2010.

O Estado, no entanto, apurou com fontes na CBF e na Fifa que um dos fatores que mais influenciou a ausência do Brasil no Tour da Taça foram acordos comerciais assinados pelas duas entidades. Com patrocinadores rivais, Fifa e CBF só chegaram a um acordo para que o troféu visitasse o País em 2014 para uma longa turnê depois de muito de debate sobre como evitar que as marcas da seleção brasileira fossem expostas em eventos com a taça. No caso de 2014, não havia como evitar o mercado brasileiro, sede do Mundial.

Para o Mundial da Rússia, a Fifa e seus parceiros comerciais optaram por buscar mercados sem marcas concorrentes, evitando dar espaço para empresas rivais. Na América do Sul, por exemplo, são os casos de Chile, Argentina e Colômbia, os três países escolhidos pela Fifa para a visita da taça.

Nos bastidores a Fifa, a interpretação também é de que se o Brasil tivesse maior influência na cúpula do futebol mundial, esse obstáculo comercial seria superado. Aspectos financeiros e políticos também tiveram peso decisivo na exclusão do Brasil. Existem ainda pendências entre o Comitê Organizador da Copa de 2014 que continuam sendo negociadas com a Fifa.

A avaliação é de que, maior federação nacional, maior campeão do mundo e sede da última Copa, a CBF teria, em outros tempos, a capacidade de exigir fazer parte da turnê. Desde 2015, após a prisão do ex-presidente da CBF José Maria Marin acusado de corrupção, Marco Polo Del Nero, atual comandante da entidade, não viaja para fora do Brasil sob o risco de também ser detido.

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'Botei a taça nos meus braços, como se estivesse ninando', relembra Bebeto

Campeão mundial em 1994 participou do início do Tour da Taça da Copa do Mundo, em Moscou

Entrevista com

Bebeto

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2017 | 07h01

Em entrevista ao Estado, o ex-jogador Bebeto, campeão mundial em 1994, nos Estados Unidos, fala sobre a emoção de ter sido escolhido pela Fifa para participar do pontapé inicial do tour, no último fim de semana, em Moscou, na Rússia.

Qual foi a sensação de ser escolhido pela Fifa para dar início ao Tour da Taça no sábado passado, em Moscou?

Fiquei muito feliz pelo convite. É gratificante por tudo o que fiz ao longo da minha carreira. Ser reconhecido dessa maneira, é muito legal. Cada vez que reencontro a taça passa um filme pela cabeça.

Quais são as suas melhores lembranças com a taça da Copa do Mundo?

É sempre um prazer, uma emoção danada. A taça da Copa do Mundo é um objeto desejado por todos os jogadores. Eu, quando era criança e comecei a jogar em Salvador, tinha o sonho de jogar pela seleção brasileira e ser campeão mundial. Vi o Brasil ser campeão em 1970, quando tinha seis anos, e depois de 24 anos conseguimos conquistar o tetra. Então, ter a oportunidade de estar com a taça, uma coisa que desejei tanto, não tem preço. Por isso, desta vez botei a taça nos meus braços, como se estivesse ninando, igual à comemoração do gol que fiz em 1994 em homenagem ao meu filho Matheus.

Como você vê o fato de o Brasil ser excluído do Tour da Taça?

Acho que não tem nada relacionado a assuntos políticos, mas sim pelo fato de, em 2014, a taça já ter passado aqui pelo Brasil. 

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