Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Fifa faz audiência sobre Del Nero nesta sexta-feira

Advogados do cartola afastado entregam hoje sua defesa e apontam que não existem provas de pagamentos de US$ 6,5 milhões em propinas

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

15 Janeiro 2018 | 10h22

O futuro do brasileiro Marco Polo Del Nero começará a ser definida nesta sexta-feira. A Fifa realizará sua audiência do Comitê de Ética da entidade em Zurique no dia 19, com o objetivo de ouvir a defesa do cartola. Nesta segunda-feira, os advogados do brasileiro entregaram ainda a defesa de Del Nero à entidade, que será analisada nos próximos cinco dias, antes da audiência. 

+ Afastado, Del Nero continua no comando da CBF

O dirigente foi indiciado nos EUA por corrupção e lavagem de dinheiro. Mas, ao permanecer no Brasil, conseguiu evitar ser preso e extraditado para Nova Iorque, onde seria julgado. Em dezembro, diante das evidências apresentadas por promotores americanos às cortes de Nova Iorque citando a suposta corrupção de Del Nero, a Fifa optou por o afastar por 90 dias, enquanto julgava seu caso.

Se condenado e banido, Del Nero terá de abandonar o futebol, abrindo espaço para eleições na CBF.  O Estado apurou que a Fifa pode, com todas as informações em mãos, esperar até abril para tomar uma decisão. Isso por conta da data também estabelecida pela Corte em Nova Iorque para o anúncio da sentença contra os cartolas julgados nos EUA, entre eles José Maria Marin.

Mas a defesa do brasileiro insiste que existem pelo menos duas brechas para desmontar as acusações. A primeira delas é de que, ao contrário do que ocorreu com José Maria Marin, não existiriam provas concretas do recebimento de propinas, que chegariam a US$ 6,5 milhões. 

Outro argumento utilizado é de que, em dois anos, a Fifa jamais produziu um só documento de evidências contra Del Nero, baseando toda sua acusação em investigações realizadas por terceiros. No caso, a Justiça dos EUA. 

Já na sexta-feira, Del Nero não viajará até Zurique a audiência no Comitê de Ética, que tem a incumbência de determinar sua pena. Seus advogados estarão na Suíça. O dirigente brasileiro, porém, estará à disposição para responder a perguntas por meio de uma videoconferência. 

A realização de videoconferências com suspeitos ou envolvidos em casos de ética não é exatamente uma novidade no mundo dos esportes. O Tribunal Arbitral dos Esportes, por exemplo, usa o sistema com frequência, inclusive para agilizar os trâmites de casos e não ve como um problema a ausência física da pessoa em questão. 

Na Fifa, porém, fontes revelam ao Estado que uma saia-justa pode ser escancarada se algum dos membros do Comitê de Ética resolver fazer uma pergunta simples: por qual motivo o suspeito não pode comparecer à audiência para se defender?

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