Geoff Caddick/AFP
Geoff Caddick/AFP

Fifa mostra-se descontente com o tempo das partidas de futebol e busca soluções para evitar 'cera'

Presidente da entidade sugere que estão sendo realizados testes com a International Board em que a minutagem do jogo seja contada apenas em momentos de bola rolando

Fernando Valeika de Barros, especial para o Estadão

01 de julho de 2022 | 11h48
Atualizado 04 de julho de 2022 | 11h58

Durante a Assembleia-Geral da International Football Association Board (IFAB,sigla em inglês), em Doha, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, comentou sobre uma medida que ainda não acontecerá na próxima Copa do Mundo, mas que poderá alterar radicalmente as regras do futebol. O dirigente admite que estão sendo realizados testes em que o tempo do jogo seria contado apenas em momentos nos quais a bola estiver em jogo, como já acontece em outros esportes, como o futsal e o basquete, por exemplo.

“Não é aceitável que um jogo de 90 minutos tenha apenas a bola em jogo por 47 ou 48 minutos em média. Temos que analisar isso”, afirmou o presidente da Fifa, acrescentado que a medida está em fase de avaliação, sob a supervisão da IFAB. 

Se isso for confirmado, o tempo de jogo pode ter dois tempos de 30 minutos, mas de bola rolando, que é o tempo médio das partidas atualmente. Proposta que existe desde 2017. A Fifa sabe que há muitas paradas nos jogos. A diferença é que não vai existir mais espaço para cera e outros artifícios para roubar os minutos do jogo, deixar o relógio passar. A entidade já negou essa possibilidade tempos atrás, de reduzir o jogo dos 90 minutos.

De todas as decisões já implementadas no futebol, essa seria a mais radical, porque mudaria a concepção básica de uma partida. A Fifa deve levar sua intenção adiante, com testes e muitos encontros com representantes dos continentes.

Para o próximo Mundial, a entidade já tinha batido o martelo sobre outra mudança: o número de atletas convocados. Na mesma assembleia da International Board, a entidade tinha sugerido que os técnicos das 32 seleções participantes da Copa de 2022 poderiam convocar 26 jogadores - três a mais do que o habitual nos últimos campeonatos mundiais. Também sugeriu - e foi acatado - que cada time poderá colocar 15 atletas no banco (na Copa da Rússia eram 12) e fazer até cinco substituições, em três interrupções, durante os confrontos. Até o Mundial de 2018, eram permitidas apenas três alterações, mas isso mudou em função da pandemia.

"Esta medida foi introduzida, pela primeira vez, como um ajuste nas regras por causa da pandemia da covid-19, mas seus resultados foram tão satisfatórios que os técnicos foram unânimes em solicitar que a adotássemos permanentemente", disse Infantino ao Estadão.

Nesta sexta, a Fifa confirmou que uma nova tecnologia para detectar situações de impedimento será adotada nos 64 jogos da Copa, conforme o Estadão contou. Conhecida também como "VAR Light”, essa tecnologia usa doze câmeras posicionadas no teto do estádio e seguem os movimentos da bola e de cada jogador. São 29 pontos de dados verificados 50 vezes por segundo, determinando uma posição exata no momento do passe.

"Esta tecnologia foi testada em cerca de uma centena de partidas, com a vantagem de ser mas ágil para ajudar os árbitros a determinar situações de impedimento", disse Infantino, durante a 136ª Assembleia Geral Anual do International Football Association Board, órgão que regulamenta as regras do futebol.

Além das câmeras, a bola da Copa do Catar, batizada de Al Rihla, será equipada com um sensor para medir seus movimentos. A cada segundo, enviará cerca de 500 dados para a sala da arbitragem eletrônica. Se houver situação de impedimento, os árbitros de vídeo receberão um alerta  e poderão avisar os árbitros de campo sobre a irregularidade. A Fifa nega que seu presidente tenha respondido perguntas específicas feitas pelo repórter durante o evento. Fez uma nota oficial rebatendo as informações que dizem respeito à reduzir o tempo de jogo das partidas, de 90 para 60 minutos cronometrados. Segue: 

NOTA DA FIFA

Depois de receber uma tradução, para ser gentil, direi que o posicionamento, incluindo o subtítulo e o texto, contém erros, imprecisões e suposições enganosas. O presidente da Fifa falou em uma coletiva de imprensa do IFAB e não disse a você, nem a ninguém, que a Fifa está estudando reduzir a duração das partidas de 90 para 60 minutos. 

Suas duas perguntas na Conferência de Imprensa da IFAB foram respondidas pelos administradores de futebol, Sr. Patrick Nelson (FA Irlandesa) e Sr. Mark Bullingham (FA). Eles são a partir das 16:00 aqui no site do IFAB e o comunicado de imprensa do IFAB aqui declara o resultado das discussões da AGM.

Isto é o que o Sr. Infantino disse no início da Conferência de Imprensa do IFAB, durante seu discurso de abertura, e não respondendo pessoalmente a você: "Outros testes que estão (em) curso, que o conselho do IFAB vai analisar, estão relacionados com o tempo, com o desperdício de tempo, mas também tempo efetivo, (e) como encontrar uma solução neste respeito. Acho que todos nós acreditamos e temos a mesma sensação de que não é realmente aceitável dizermos que um jogo de futebol é um jogo de 90 minutos, que na realidade são jogados apenas 46, 47 e 48 minutos. Precisamos olhar para isso. Há maneiras de cronometrar, há maneiras de conceder tempo adicional nos diferentes jogos, nas diferentes partidas, mas algumas tentativas serão feitas a esse respeito para calcular o tempo de jogo de maneira mais justa".

Mais abaixo no artigo, você se refere a um anúncio do VAR Light. Este não é o caso. A Tecnologia Offside Semi-Automatizada deve ser usada na Copa do Mundo da Fifa Catar 2022, conforme descrito aqui. VAR Light é uma iniciativa separada, conforme explicado aqui.

Sobre a questão dos suplentes, referiu que o Sr. Infantino lhe disse: "Esta medida foi introduzida, pela primeira vez, como um ajustamento às regras por causa da pandemia de covid-19, mas os seus resultados foram tão satisfatórios que os treinadores ouvidos foram quase unânimes em solicitar que o adotássemos permanentemente." Não consigo ver onde isso foi dito a você.

Após as discussões de ontem à noite entre Onofre Costa, nosso consultor, copiado, e Robson Morelli, editor, também o estou copiando solicitando que este texto seja retirado do site do Estado de São Paulo. Copiando Giovanni Marti da Fifa e da equipe de mídia do IFAB, caso você tenha mais dúvidas em relação à Fifa e/ou às Leis do Jogo.

Obrigada

Bryan Swanson

Diretor de Relações com a Mídia, Fifa

 

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