Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Fifa investiga Del Nero por suspeita de propina na Copa do Mundo 2014

Presidente licenciado da CBF, também na mira da Justiça dos EUA, teria criado rede de 'laranjas' para evitar ter seu nome revelado

JAMIL CHADE / CORRESPONDENTE EM GENEBRA, O ESTADO DE S.PAULO

08 de dezembro de 2015 | 05h00

Marco Polo Del Nero está sendo investigado na Fifa por suspeitas de ter recebido propinas na Copa de 2014 no Brasil. Os detalhes são mantidos em sigilo pelo Comitê de Ética da Fifa que argumenta não poder dar informações para não prejudicar a apuração e comprometer as denúncias que recebeu. Mas, se comprovado, o dirigente brasileiro seria banido para sempre do futebol e seria proibido de exercer qualquer tipo de função em clubes, ligas ou mesmo agir como consultor. 

Os dados foram enviados ao Comitê de Ética da Fifa por “múltiplas fontes”, segundo pessoas próximas ao caso. Uma delas teria sido a CPI do Futebol no Senado que, no dia 11 de novembro, encaminhou dossiê contra Del Nero para Zurique. 

Doze dias depois, a Fifa abriu um processo formal contra o dirigente. Um dos pontos investigados é a suspeita de que o cartola recebeu subornos de empresas para facilitar seu acesso ao Comitê Organizador Local da Copa (COL) e em diferentes sedes do Mundial como patrocinadoras ou apenas como fornecedoras. Durante a Copa, mais de mil contratos foram assinados. 

Del Nero entrou para o COL em maio 2012, indicado pela Fifa e no auge do conflito entre os cartolas e o governo. Naquele momento, não existia garantia de que os 12 estádios ficariam prontos e o governo bancaria os empréstimos, como a CBF e a Fifa pressionavam. 

Por dois anos, Del Nero passou a fazer parte de todas as reuniões e decisões do grupo que, apenas da Fifa, recebeu mais de US$ 400 milhões para montar o evento. Mas foi em abril de 2015, quase um ano depois de terminada a Copa, que Del Nero assumiria a presidência do COL, com o fim da presidência de José Maria Marin da CBF. Ele passou a acumular os cargos de sócio e diretor-presidente, com um salário de R$ 110 mil por mês. Seu mandato iria até janeiro de 2016, quando o COL oficialmente seria desfeito. 

Fontes próximas ao caso indicaram que o comitê recebeu “volume massivo” de dados relacionados a Del Nero, inclusive com suspeita de uma “mesada” por causa dos contratos. 

A investigação também tem apontado que Del Nero criou uma série de “escudos”, evitando que os pagamentos ocorram em seu nome e designando empresas de fachada e aliados para que fossem usados como intermediários. Por isso, a quebra de sigilo bancário não se limitou ao dirigente. 

Num primeiro momento, Del Nero poderia ser suspenso por 90 dias na Fifa, enquanto seu caso seria examinado. Mas a previsão do Comitê de Ética era de que, com os casos de Blatter e Platini na agenda para os dias 16 e 17 de dezembro, o processo de Del Nero ficaria apenas para 2016. Com o indiciamento nos EUA, o brasileiro pode ver seu caso ser acelerado na Fifa.

A CBF, por meio de sua assessoria, disse que Del Nero não compareceu à sede da entidade nesta segunda-feira e não poderia responder pelo presidente licenciado.

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