Fifa investiga presença de jogadores do Brasil em briga com chilenos

Entidade faz de tudo para abafar confusão ocorrida em Brasília. Se envolvimento for comprovado, jogadores podem ser suspensos

Jamil Chade - Enviado especial ao Rio, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2014 | 19h03

A Fifa abriu investigações sobre a briga entre brasileiros e chilenos no intervalo do jogo válido pelas oitavas de final e, com base em um vídeo, não descarta a punição de jogadores. A entidade não revela o nome dos envolvidos e tenta abafar o caso. A postura é radicalmente diferente ao caso do uruguaio Luis Suárez, afastado do futebol por quatro meses por uma mordida. 

Nesta segunda-feira, a entidade anunciou que Rodrigo Paiva, diretor de comunicação da CBF, foi suspenso por um jogo por causa do soco que deu no atacante chileno Maurício Pinilla. A Fifa levou dois dias para tornar pública a informação de que Paiva havia sido expulso no sábado. Agora, a entidae investiga a suspeita de que o problema teria começado em campo e envolvendo Fred. Mas a ordem é silêncio total. De um lado, a Fifa precisa ser coerente e manter punições duras, depois da sanção contra Suárez. Mas, ao mesmo tempo, sabe do impacto que seria suspender jogadores brasileiros, faltando três jogos para a final.

A estratégia, portanto, é de abafar o caso. No domingo, a Fifa apenas indicou que o Comitê de Disciplina estava avaliando o caso e não revelou que Paiva havia sido expulso da partida. A assessora de imprensa da Fifa, Delia Fischer, insistiu que Paiva não era o único envolvido na confusão. "Não singularizem ele", recomendou aos jornalistas. Segundo ela, "tudo" seria avaliado. 

As imagens da confusão foram entregues aos juízes, que tentariam determinar quem estava envolvido. A informação inicial era de que "várias" pessoas estavam envolvidas.  No início da noite de domingo, a Fifa voltou a confirmar por e-mail ao Estado que não tinha "nenhuma novidade" sobre o caso. 

A tentativa de dar a mínima visibilidade possível ao caso continuou nesta segunda-feira. Ao iniciar a coletiva de imprensa diária no Maracanã, a Fifa fez uma "atualização" das decisões do Comitê de Disciplina e citou apenas a suspensão de um jogador belga. Foi apenas quando a coletiva de imprensa se encaminhava para o fim que um repórter questionou se havia alguma novidade sobre a briga do jogo entre Chile e Brasil. Então, Fischer puxou um papel e leu uma declaração em que confirmava a abertura de uma investigação formal contra Rodrigo Paiva e a suspensão por um jogo.

Ao ser questionada por que não deu a informação sobre a expulsão no dia seguinte do incidente, a Fifa afirmou que "não sabia". Questionada ainda porque não deu a informação ao mesmo tempo que a atualização dos outros casos de disciplina, a assessora respondeu: "Porque eu sabia que alguém iria perguntar". "Não precisava dar toda a informação de uma vez". O Estado ainda perguntou em três ocasiões qual teria sido o motivo da expulsão de Paiva. Depois de um silêncio e com uma voz mais baixa, Fischer disse: "ele deu um soco".  

O comportamento da Fifa sobre o Brasil foi radicalmente diferente do que fez durante o caso Suárez. No mesmo dia da mordida do jogador uruguaio, um vice-presidente exigiu punição severa. A Fifa confirmou abertura de investigação e, num e-mail enviado após a meia-noite, já dava detalhes do processo. Toda a cúpula da entidade ainda fez questão de comentar o caso e aplaudir a punição. 

Pinilla, por meio de sua conta no Twitter, criticou a posição da Fifa. "Exijo da Fifa uma sanção exemplar para Rodrigo Paiva igual ao que foi dada ao meu colega Luis Suárez. Isso é mais grave ainda. As imagens estão aí", disse. "É um delinquente esse Paiva. Não se entende o castigo ridículo", afirmou.  "Suárez, por uma mordida, arrisca sua carreira. A um chefe de imprensa uma partida por um soco na cara? Fifa?", questionou o chileno. "Uma partida para Rodrigo Paiva? Vergonha, teriam de ter por esse delinquente fantasiado de terno", completou.  

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