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Fifa não vê clima quente do Brasil como fator de grande risco na Copa

Segundo Jiri Dvorak, a avaliação é de que o País não possui condições climáticas extremas

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2014 | 07h48

SÃO PAULO - Jiri Dvorak, diretor médico da Fifa, visitou as sedes da Copa e, em sua avaliação, o Brasil não possui condições extremas para a prática esportiva no período que será realizado o torneio. Nesta entrevista exclusiva, ele fala sobre os desafios médicos no Mundial, a logística para analisar as amostras de doping e revela que o torneio pode ter parada técnica.

ESTADÃO - Quais são os maiores desafios médicos na Copa do Mundo no Brasil?

JIRI DVORAK - Eu diria que nós fizemos uma preparação nos últimos quatro anos e particulamente tivemos muitos testes na Copa das Confederações, então estamos confortáveis com os serviços médicos no Brasil, para os times nos campos de treinamento, mas também nas 12 cidades durante e após os jogos, não somente para os atletas, mas também para as delegações da Fifa.

ESTADÃO - O Brasil é um país continental, com cidades que são quentes em junho e julho, outras que são frias. Como vocês pretendem lidar com isso?

JIRI DVORAK - Nós fizemos testes durante a Copa das Confederações no ano passado e eu pessoalmente fiz questão de visitar Manaus, que é considerada muito quente pela opinião pública, mas não fiquei tão surpreso ou desafiado pelas condições climáticas de lá. Nós estamos acostumados a ver a todo momento jogos de futebol praticados em condições climáticas extremas e, comparado ao resto do mundo, acredito que o desafio no Brasil seja moderado. Claro que no Nordeste do País existem cidades que podem ter uma temperatura elevada nos meses de junho e julho, mas isso depende de vários aspectos, como vento, irradiação solar, quantidade de nuvens. Então fomos olhar as estatísticas nesse período nos últimos dez anos e consideramos os riscos moderados.

ESTADÃO - Do ponto de vista médico, quais as diferenças da Copa no Brasil para as edições anteriores?

JIRI DVORAK - Entendo que a medicina brasileira possui um alto nível, escolhemos hospitais extremamente especializados para nos servir na Copa do Mundo, então acho que teremos um ótimo evento. Desta forma, não consigo enxergar grandes questões. Nós tivemos a oportunidade de transmitir instruções especiais em cursos de gerenciamento de situações de emergência e castástrofes com pessoas da África do Sul, que possuem bastante experiência no assunto.

ESTADÃO - Como será feito o controle de doping na competição?

JIRI DVORAK - Isso é realmente desafio, pois estamos implementando na maior competição esportiva do mundo o passaporte biológico. Então estamos testando todos os jogadores que disputarão o torneio, de agora até a abertura, em seus centros de treinamento, e vamos colher amostras de sangue e urina para estabelecer o perfil biológico de cada um. Ou seja, todos serão testados antes do Mundial e depois, durante a competição, serão submetidos aos testes normais após cada jogo, dentro do procedimento padrão do torneio.

ESTADÃO - E como será feito o transporte das amostras?

JIRI DVORAK - Isso será outro desafio, pois o Brasil é muito grande. Então vamos concentrar o material colhido em São Paulo e a partir daí fazer o transporte aéreo noturno para a Suíça, pois escolhemos um laboratório em Lausanne, que é considerado um dos melhores do mundo credenciado a Wada. Eles já têm experiência em analisar o perfil biológico, pois fizeram isso no Mundial de Clubes de 2011 e 2012, no Japão, e em 2013, no Marrocos, e durante a Copa das Confederações, quando fizemos o mesmo procedimento. Então, estamos tentando concentrar todas as amostras do perfil biológico no mesmo laboratório.

ESTADÃO - Serão realizados testes surpresa nos atletas?

JIRI DVORAK - Sim, serão todos feitos de surpresa, vamos aos centros de treinamento sem avisar, então eles não saberão quando estaremos indo e ao menos uma vez serão testados.

ESTADÃO - Haverá parada técnica nas partidas da Copa?

JIRI DVORAK - Estamos bem preparados, temos um protocolo em ação se a temperatura aumentar e, se considerarmos um risco para os atletas, será feita uma parada técnica para hidratação e utilização de toalhas molhadas. Mas isso se a temperatura realmente ficar elevada, o que eu não espero. Mas estamos nos organizando para se isso acontecer.

ESTADÃO - Para finalizar, vocês criaram uma mala de primeiro socorro para lidar com a parada cardíaca. Como será feito isso na Copa?

JIRI DVORAK - O problema do gerenciamento da parada cardíaca súbita é uma questão séria. E nós tentaremos prevenir o quanto for possível, examinando os atletas antes da competição, e o departamento médico das seleções precisa assinar os documentos de que todos os atletas estão aptos a jogar. Mas ainda existe um certo risco de parada cardíaca súbita, então preparamos uma mala de emergência médica da Fifa, que contém todo equipamento de alta tecnologia para manter a pessoa viva em uma situação de emergência por ao menos 60 minutos até ser encaminhada para um hospital. Esse material foi enviado para todos os médicos das seleções, oferecido por nosso parceiro e patrocinador Johnson & Johnson, e também para os departamentos médicos de todas as sedes da Copa.

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