Fifa pede a governadores que evitem problemas para CBF

Entidade alerta que a criação de CPIs pode afastar os investidores para o Mundial de 2014

Jamil Chade e Leonencio Nossa, do Estadão,

28 de outubro de 2007 | 19h47

A cúpula da Fifa vai cobrar nesta segunda-feira de 11 governadores que participam da festa de anúncio do país-sede da Copa de 2014 empenho para impedir "hostilidades políticas" e "exposições negativas" na Câmara e no Senado. O presidente da entidade, Joseph Blatter, deixou claro, em conversas com dirigentes esportivos brasileiros, que a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito, por exemplo, criaria um clima desfavorável aos investimentos estrangeiros.   Veja também:  Platini questiona ausência de Pelé da comissão da Copa de 2014   O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, jantou na noite deste domingo com os governadores que querem sediar jogos da Copa, num hotel de Zurique, para antecipar as condições impostas pela Fifa. Os governadores, que tentam agradar a entidade com promessas de investimentos em infra-estrutura, serão orientados a comandar as bancadas de seus Estados no trabalho de "prevenção" à abertura de CPIs.   Em conversas na tarde deste domingo com jornalistas, Ricardo Teixeira se queixou de declarações do deputado Sílvio Torres (PSDB-SP), um dos parlamentares que querem investigar, na Câmara, denúncias contra clubes brasileiros e a CBF. Teixeira disse que também tem um dossiê contra o deputado. Em 2001, Torres foi o relator da CPI da CBF/Nike.   Ainda neste ano, a Fifa instala no Rio o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014. Segundo duas autoridades brasileiras, a comissão terá funções de regular e monitorar os projetos das sedes do torneio. Joseph Blatter disse, em conversas formais com dirigentes da CBF, que a Fifa não pode correr riscos de ser relacionada a qualquer denúncia envolvendo o futebol brasileiro.   Para obter o "benefício" da Copa, o Brasil não pode instalar CPIs. Nenhum país é obrigado a sediar o evento, costuma dizer Blatter. Uma vez decidido a realizar a Copa, o candidato tem de se comprometer a seguir regras de entidade, que não é pública e que tem sede na Suíça, uma das mecas do capitalismo.   A instalação de CPIs, na avaliação da Fifa, também seria um entrave à entrada de recursos privados estrangeiros no País. Uma Comissão Parlamentar, observa um dos governadores que vieram para a festa, expõe facilmente movimentações bancárias e fiscais de uma empresa, ao quebrar sigilos comerciais.   O jantar oferecido pela CBF domingo em Zurique contaria com a presença da maioria dos 11 governadores que devem comparecer à cerimônia de terça-feira. Pela previsão, participam do evento os governadores José Serra (São Paulo), Sérgio Cabral (Rio), Aécio Neves (Minas), Eduardo Braga (Amazonas), Jacques Wagner (Bahia), Eduardo Campos (Pernambuco), Alcides Rodrigues (Goiás), Binho Marques (Acre), Cid Gomes (Ceará), José Roberto Arruda (Distrito Federal) e Blairo Maggi (Mato Grosso). Wagner e Campos devem viajar segunda para a Suíça, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.   Também foram ao jantar o escritor Paulo Coelho, o técnico Dunga, da seleção, e representantes do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014. Tudo pelo "bom andamento" dos trabalhos.   Em tom conciliador, o ministro do Esporte, Orlando Silva, chegou domingo a Zurique. Quando um agente de controle de imigração que lhe perguntou o que tinha ido fazer na Suíça, o ministro brincou: "Vim buscar a Copa", avisou. "O anúncio na terça aumenta a responsabilidade do País em relação à Copa", avaliou Silva. "De qualquer forma, o anúncio vai coroar um esforço que ocorreu até agora, para o País mostrar que tem capacidade de organizar o torneio."

Tudo o que sabemos sobre:
Copa 2014FifaCBF

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.