Doce Nacho/Reuters
Doce Nacho/Reuters

Fifa pode facilitar vida dos cambistas na Copa do Mundo

Mecanismo criado para transferir ingressos abre possibilidade de maior liberdade de ação para revendedores ilegais

ALMIR LEITE , O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2013 | 07h30

SÃO PAULO - Ainda que de maneira involuntária, a Fifa poderá contribuir para a festa dos cambistas na Copa de 2014. A entidade divulgou ontem os preços dos ingressos para o torneio (de R$ 30 a R$ 1.980) e deixou no ar várias dúvidas, mas anunciou medida que, se mantida com está, acabará facilitando a vida de quem pretende ganhar dinheiro com os bilhetes: a possibilidade de transferência de ingressos.

A exemplo de outras competições da Fifa, na Copa os compradores dos bilhetes deverão fornecer dados de documentos para que possam ser identificados - cada pessoa poderá adquirir até quatro ingressos por jogo, para um máximo de sete partidas. No entanto, a entidade vai permitir que as entradas, com exceção da que estará em nome do titular, sejam transferidas. O mecanismo está previsto no artigo 5.2 do manual sobre ingressos elaborado pela Fifa.

“Vai ser possível mudar todos os nomes, menos o do principal solicitante (dos bilhetes)’’, admitiu ontem, em São Paulo, Thierry Weil, diretor de marketing da Fifa. Ele também anunciou que será possível revender os bilhetes por meio do canal oficial da entidade (www.fifa.com/ticketing). “A Fifa criou essa plataforma de revenda e transferências, mas há restrição. Um ingresso não poderá ser revendido antes que todos os outros sejam vendidos." Nesse caso, a revenda será feita pelo preço oficial.

Questionado pelo Estado sobre a abertura de brecha para os cambistas com o mecanismo de transferência, Weil preferiu descartar a ação de oportunistas: “A Fifa tem um canal oficial para revenda e transferência de ingressos justamente para que tudo seja feito de forma correta. Qualquer outra forma é ilegal. Creio que quem precisar transferir um ingresso terá boas razões.”

Em seguida, Delia Fischer, gerente de relações com a mídia da Fifa, lembrou que as leis brasileiras preveem punições para cambistas, referindo-se ao artigo 41 do Estatuto do Torcedor e ao 16 da Lei Geral da Copa. Ninguém explicou como controlar as “transferências mal-intencionadas" de ingressos.

Weil reconheceu que a Fifa ainda não tem o esquema de distribuição dos bilhetes totalmente definido. A entidade está elaborando um documento com as diretrizes. “Nosso desafio é apresentá-las até 19 de agosto de uma maneira que seja fácil para todos entenderem.”

Nesse documento, a Fifa confia que colocará cláusulas que inibirão a ação dos cambistas. “Todos os detalhes da Política de Transferência e Revenda de ingressos serão publicados na internet”, informa a entidade.

No escuro. As vendas começarão em 20 de agosto, às 7h (de Brasília), e terão três fases (veja arte). A primeira etapa vai até 10 de outubro e, se o número de pedidos para determinado jogo superar a quantidade de bilhetes disponíveis, será feito um sorteio. Nessa fase, os torcedores não saberão que jogo comprarão, com exceção das partidas do Brasil na fase de grupos.

Dos cerca de 3,3 milhões de ingressos, pouco mais de 1,1 milhão serão destinados a torcedores brasileiros. Deles, 400 mil, da categoria 4, a mais barata - a R$ 60, com meia-entrada saindo por R$ 30 para estudantes e beneficiários do Bolsa Família -, serão destinados a residentes no País. Idosos poderão pagar meia em todas as categorias.

Na média, os bilhetes tiveram aumento de 10% em relação aos preços cobrados na África do Sul. O ingresso cheio mais barato, o da categoria 4, foi vendido em 2010 a R$ 44.

A distribuição dos ingressos está prevista para começar em 15 de abril de 2014 e a Fifa vai ampliar o número de locais de retirada. Lição aprendida na Copa das Confederações, em que as cidades, com exceção do Rio, tinham apenas um posto para retirada, o que ocasionou filas.

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