Giuseppe Cacace/AFP
Giuseppe Cacace/AFP

Fifa pode punir ligas e clubes que se recusarem a ceder jogadores às seleções

Equipes do Campeonato Inglês e Espanhol anunciaram nesta terça-feira que não vão liberar atletas para disputar as Eliminatórias da Copa do Mundo em países com alta da covid-19. Seleção brasileira pode ter 11 baixas para jogos contra Argentina, Chile e Peru

Redação, Estadão Conteúdo

25 de agosto de 2021 | 09h24

A Conmebol optou por marcar para setembro uma rodada tripla das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022, que será no Catar. E a terça-feira foi marcada por duas notas oficiais das principais ligas europeias. Tanto a Premier League (Campeonato Inglês) como a LaLiga (Espanhol) se posicionaram de forma firme, afirmando que apoiam os respectivos clubes na decisão de não liberarem seus jogadores para atuar na América do Sul por suas seleções. A justificativa seria a questão da pandemia da covid-19 nos países sul-americanos.

O Brasil, por exemplo, já não poderia contar com 11 jogadores nos jogos de setembro das Eliminatórias contra Chile, Argentina e Peru. São nove que atuam na Inglaterra: Alisson, Fabinho e Roberto Firmino, do Liverpool; Ederson e Gabriel Jesus, do Manchester City; Thiago Silva, do Chelsea; Richarlison, do Everton; Fred, do Manchester United; e Raphinha, do Leeds United. E dois jogam na Espanha: Casemiro e Eder Militão, do Real Madrid. Mas, ao que parece, essa situação ainda está longe de ser resolvida.

Isso porque a Fifa, através do seu presidente Gianni Infantino, enviou uma carta à Alejandro Dominguez, mandatário da Conmebol, reiterando que os clubes devem liberar seus jogadores para a rodada tripla das Eliminatórias. E deixa a advertência de que "procederá a reiterar às respectivas associações filiadas e aos clubes afetados as bases regulatórias a que estão sujeitas, bem como a fazê-los participar nas consequências do seu eventual descumprimento".

O parecer da Fifa visa dar um respaldo para a Conmebol em relação à próxima Data Fifa. Isso porque a entidade que gere o futebol da América do Sul acredita que as seleções terão um amparo para contar com seus principais jogadores nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Por outro lado, as duas ligas citadas seguem firmes em sua posição.

Vale citar que a nota da Fifa foi emitida na última segunda-feira, enquanto que os comunicados oficiais da Premier League e da LaLiga foram divulgadas na terça. Além disso, não está descartado que outras ligas europeias tomem o mesmo rumo.

Tentando reverter a situação, Infantino afirmou nesta quarta-feira que pediu a Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, um regime especial de quarentena para os atletas que foram convocados por suas seleções, similar à que se aplicou nas datas finais da Euro 2020. O presidente da Fifa destacou que o assunto é de "suma urgência e importância", ressaltando que muitos dos melhores jogadores do mundo jogam na Espanha e na Inglaterra e que esses países também "têm a responsabilidade de preservar e proteger a integridade esportiva das competições em todo o planeta".

Os clubes reclamam que a Fifa aumentou "unilateralmente" o tempo em que os jogadores precisam ser cedidos às seleções sul-americanas - dos usuais nove dias para 11 dias. A entidade que comanda o futebol no mundo argumenta que a decisão foi ratificada pelo Bureau do Conselho da Fifa, um órgão interno formado pelos presidentes das seis confederações continentais. Nesse órgão, a votação foi 5 a 1 - só a Uefa votou contra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.