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Fifa prepara novas regras para reduzir comissões de empresários em transações

Agentes poderão cobrar no máximo 6% do salário do jogador ou 10% do valor total da transferência

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2020 | 08h00

A Fifa trabalha para mudar a atividade dos empresários de jogadores de futebol e reduzir os ganhos desses profissionais já a partir do próximo ano. Entre outras coisas, o novo regulamento que está sendo discutido pela entdade prevê que um agente pode cobrar de comissão no máximo 6% do salário total do jogador ou 10% do valor da transferência caso seja o clube vendedor que pague ao negociador. O assunto está na mesa do presidente da Fifa há algum tempo.

Relatório da Fifa aponta que as transferências internacionais em 2019 renderam US$ 653,9 milhões (R$ 3,6 bilhões) em comissões para os agentes. O valor é 19,3% maior do que foi pago no ano de 2018. Na comparação com 2015, por exemplo, a arrecadação dos empresários dobrou.

O objetivo da Fifa é evitar casos como o de Mino Raiola, empresário do francês Paul Pogba, que ficou com US$ 49 milhões (R$ 270 milhões) em comissão quando fechou a venda do jogador da Juventus para o Manchester United em 2016, segundo revelações do Football Leaks. O episódio provocou polêmica e o Fórum de Agentes de Futebol, presidido pelo próprio Raiola, ameaça processar a Fifa por considerar que limitar as comissões contraria a livre concorrência.

"Às vezes, esses grandes valores podem levar os agentes a não defenderem os interesses de seus clientes da melhor maneira", justificou o diretor de regulamentação do futebol da Fifa, James Kitching. Com essas medidas, a Fifa alega querer "melhorar a transparência e proteger os jogadores de abusos e práticas especulativas", assim como os clubes envolvidos na transação. Outro objetivo é limitar o conflito de interesses ao proibir a "representação tripla", prática ilustrada também na transferência de Pogba, na qual Raiola acabou cobrando comissões de seu cliente, do clube vendedor e do clube comprador.

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É um regulamento que vai ajudar a indústria do futebol. Não é um projeto contra os agentes, mas para eles
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Emilio García Silvero, chefe de Assuntos Jurídicos da Fifa

Com o aumento de intermediários no futebol, a Fifa pretende estabelecer uma licença para quem deseja exercer a profissão. Entre as exigências para conceder a autorização de trabalho estão ter seguro profissional e nunca ter sido condenado por crimes relacionados à corrupção, lavagem de dinheiro, fraude fiscal, abuso ou assédio sexual.

A última fase de consultas da Fifa a clubes, ligas e agentes começou na quinta-feira. A entidade planeja fechar a proposta entre março e junho para levar à votação em seu congresso. "É um regulamento que vai ajudar a indústria do futebol. Não é um projeto contra os agentes, mas para eles. Queremos trabalhar com eles", defendeu Emilio García Silvero, chefe de Assuntos Jurídicos da Fifa.

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