Giuseppe Cacace/ AFP
Giuseppe Cacace/ AFP

Fifa procura US$ 1 bilhão para Mundial de Clubes e contrata empresa dos EUA para isso

Grande parte do dinheiro assegurará a participação dos principais clubes europeus, que buscam status privilegiado

Tariq Panja, The New York Times

27 de fevereiro de 2020 | 13h00

A Fifa encarregou uma empresa de assessoria financeira dos EUA de conseguir US$ 1 bilhão (R$ 4,4 bilhões) necessários para o lançamento do Mundial de Clubes com 24 times, no próximo ano. A contratação da firma Raine Group, que tem experiência em fechamento de acordos no setor de esportes, sugere que  a concorrência aberta em dezembro do ano passado não garantiu a intervenção de um investidor capaz de atender às exigências de financiamento da organização do Mundial de Clubes em 2021, que se realizará na China.

Grande parte do dinheiro assegurará a participação dos principais clubes europeus, que buscam status privilegiado e se tornariam essencialmente co-proprietários do evento. No mês passado, os presidentes de um grupo de clubes europeus de elite, entre eles Liverpool, Juventus e Barcelona, viajou para a sede da Fifa, em Zurique. Segundo pessoas a par dos seus planos e um documento que resume o encontro, obtido pelo jornal The New York Times, eles discutiram a criação de uma joint venture entre a Fifa e a Associação de Clubes da Europa, status que elevaria os seus interesses acima dos times participantes de cinco outras confederações regionais de futebol. 

As conversações se concentraram nos incentivos financeiros, e na possibilidade de incluir 12 times europeus, quatro a mais do formato atual, que limita o envolvimento europeu a oito. Chegar a um acordo para a competição foi um processo complicado. O projeto provocou o rompimento das relações entre o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, e enfrentou a oposição dos maiores clubes e das ligas. A Fifa quer que a sua nova competição tenha status semelhante à da Copa do Mundo, aspiração que ameaçaria o status da Liga dos Campeões, atualmente o campeonato dos clubes mais ricos do mundo.

Para administrar o processo, a Fifa contratou a Raine, organização com grande experiência na conclusão de acordos entre entidades esportivas, e com presença na China. Dirigida pelo banqueiro Joe Ravitch, a empresa ajudou o campeão inglês Manchester City a vender, em novembro, uma participação no valor de US$ 500 milhões ao grupo americano de investimentos Silver Lake Partners. E o Chelsea orientou os eventuais interessados em adquirir o clube do seu proprietário russo, Roman Abramovich, a procurarem Ravitch.

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