Divulgação
Divulgação

Fifa propõe Copa 2022 em novembro e clubes partem para o ataque

Europeus alertam que a nova data para o Mundial do Catar será 'desastrosa' para as ligas nacionais e para a Liga dos Campeões

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2015 | 07h49

Depois de seis meses de um quebra-cabeça financeiro complicado, a Fifa propõe oficialmente que a Copa de 2022 ocorra no período do inverno do hemisfério Norte, modificando pela primeira vez a data de seu evento mais importante. Segundo a proposta que foi apresentada nesta terça, o Mundial do Catar ocorreria entre novembro e dezembro. Geralmente as Copa ocorrem no meio do ano. Mas o projeto se choca de frente com a Liga dos Campeões e os clubes querem compensações da Fifa para modificar suas agendas para encaixar o Mundial.

A decisão ainda precisa passar pelo Comitê Executivo da Fifa, que se reúne em março para bater o martelo. Joseph Blatter tenta acelerar uma decisão antes das eleições na entidade em maio. Mas a proposta é um reconhecimento generalizado de que, ao dar ao Catar a Copa de 2022, os cartolas simplesmente ignoraram o fato de que seria impraticável jogar futebol no deserto no verão. Pelos critérios da Fifa, porém, quem organizasse a Copa teria de se comprometer a realizá-la em junho e julho.

Agora, a mudança parece consolidada, deixando os demais países que se candidataram ao evento irritados pela mudança de critério depois da escolha. No lugar de enfrentar temperaturas acima de 40 graus Celsius, a Copa será disputada a cerca de 20 graus Celsius.

Outra proposta é de que o Mundial de 2022 seja mais curto que aquele disputado no Brasil em 2014 para que evite coincidir com o Natal. "Após uma consideração cuidadosa sobre várias opções e discussões detalhadas com vários atores, identificamos que esta é a melhor solução para o calendário internacional de jogos entre 2018 e 2024", indicou a Fifa em comunicado - entidade garante que todas as confederações regionais já deram o sinal verde.

Segundo a Fifa, a Copa com início em novembro é "a única opção". Isso porque o mês de fevereiro será destinado para os Jogos Olímpicos de Inverno, em Almaty ou Pequim. A Fifa decidiu não abrir guerra contra o COI (Comitê Olímpico Internacional) e aceitou evitar um choque entre os dois eventos. Thomas Bach, presidente do COI, havia deixado claro que a entidade não modificaria sua competição.

Já o Ramadã no mundo islâmico começa no dia 2 de abril, o que dificultaria as operações de um evento em um país muçulmano nesse período, preferido pelos clubes europeus.

GUERRA

A proposta, porém, já abriu uma guerra com os europeus, que insistiam em um Mundial entre abril e maio para não afetar os torneios nacionais e principalmente a Liga dos Campeões. Nesta terça mesmo, a poderosa Associação de Clubes Europeus emitiu nota em que pede oficialmente que sejam compensados pelas perdas que vão ter com a modificação do calendário internacional.

"A recomendação da Fifa não é uma surpresa", admitiu o presidente do grupo, Karl-Heinz Rummenigge. "Isso representa uma tarefa difícil e desafiadora", alertou. "Todos os jogos do mundo terão agora de se acomodar ao torneio em 2022 e 2023. Mas os clubes europeus e suas ligas não podem ficar com os custos da mudança. Esperamos que os clubes sejam compensados por danos que a decisão final causará."

Ao deixar a reunião da Fifa, o CEO da Premier League, Richard Scudamore, também já deixou claro sua rejeição. "Estamos muito decepcionados", declarou. "São os clubes europeus que mais fornecem jogadores para a Copa do Mundo", insistiu. "A Copa de 2022 foi dada para que o Catar a organizasse no verão. A perspectiva de uma Copa no Inverno não é nem operacional nem desejável para o futebol doméstico europeu." As críticas foram duras. "Isso vai ser um desastre", declarou Peter Coates, CEO do Stoke City, clube inglês, e um dos cartolas que lideram o debate na Europa.

Clubes e ligas temem perder receitas com a mudança de calendário e ter de restruturar seus torneios. Alguns chegam a propôr que a candidatura do Catar seja revista, diante do fato de o contrato dado pela Fifa ao país destacar exclusivamente em uma Mundial no meio de 2022. Jim Boyce, vice-presidente da Fifa, indicou que vai lutar para que o Mundial evite chegar perto de uma final no dia 23 de dezembro, véspera do Natal.

Os demais candidatos (EUA, Austrália e Japão) se queixam de que o Catar ganhou a Copa não respeitando um dos principais critérios, que era o período do torneio.

Tudo o que sabemos sobre:
Copa 2022Copa do MundoFifafutebol

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.