Montagem/AP
Montagem/AP

Comitê da Fifa quer banir Blatter e Platini 'para sempre' do futebol

Investigados, dirigentes já foram suspensos por oito anos

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

12 de janeiro de 2016 | 11h07

A Fifa não está satisfeita com a punição imposta sobre Joseph Blatter e Michel Platini, estimada em oito anos. Agora, o Comitê de Ética da entidade vai recorrer da decisão do juiz Hans Eckart para solicitar que os dois dirigentes sejam banidos do futebol "para sempre". "Nosso pedido é por uma suspensão por toda a vida", indicou um representante do Comitê de Ética.

Condenados por "abuso de poder", Joseph Blatter e Michel Platini foram suspensos do futebol por oito anos. A decisão foi um divisor de águas na história da entidade que, pela primeira vez, afastou do futebol seu presidente. Ela também passa a ser considerada como uma demonstração de que a entidade tenta "virar a página", afastando seus antigos chefes e abrindo espaço para uma "nova entidade". 

Mas os investigadores, ainda assim, acreditam que a punição foi "branda" e querem ampliar o castigo para impedir que Blatter e Platini voltem ao futebol. 

Blatter, com 79 anos, adotou um tom desafiador, convocou uma coletiva de imprensa na antiga sede da Fifa, alertou que o Comitê de Ética não o pode destituir da presidência e insinua que pode melar a eleição marcada para fevereiro. "Eu voltarei", prometeu. 

Ele esperava ser inocentado para que pudesse voltar ao comando e, em fevereiro, entregar o cargo ao seu sucessor. Já Platini esperava também ser inocentado, desta vez para ser candidato à presidência da Fifa.

Mas o Comitê de Ética estimou que nenhum dos dois conseguiu explicar uma transferência de US$ 2 milhões do suíço ao francês, em 2011. O Ministério Público da Suíça também investiga o caso. 

Blatter apontava de que o dinheiro era um salário atrasado que a Fifa devia para Platini. Mas admitiu que não existe acordo escrito. Para a Fifa, a suspeita de falsificação do balanço financeiro da entidade. Blatter era presidente e Platini, em 2011, seu vice-presidente e teriam de ter informado aos demais membros do Comitê Executivo sobre o pagamento, o que não ocorreu. 

Segundo o comunicado, o pagamento de US$ 2 milhões "não tem base legal". A tese de um "acordo de cavalheiros" não foi "convincente e rejeitado". 

O Comitê também admite que as evidências coletadas não foram suficientes para provar que se tratou de corrupção. Mas aponta que a "conduta de Blatter em relação a Platini sem base legal constitui uma violação das regras da Fifa sobre dar e aceitar presentes e outros benefícios". 

Os mesmos argumentos foram apresentados sobre Platini, que semanas depois desistiu de sua campanha para a presidência. "Suas ações não mostraram compromisso com uma atitude ética", disse. Além da suspensão, ele paga US$ 80 mil em multas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.