Paul Faith/AFP
Paul Faith/AFP

Fifa rejeita a quarta substituição no futebol e também veta vídeo

Medidas precisam ser estudadas com 'maior profundidade'

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

28 de fevereiro de 2015 | 10h20

Atualizado às 10h50

Mudanças e inovações nas regras do futebol não serão para já. A Fifa e cartolas britânicos rejeitaram por enquanto uma quarta substituição em jogos de futebol em caso de prorrogações e ainda vetou a ideia do uso do vídeo, pedindo novos estudos sobre os assuntos para reavaliá-los a partir de 2016.

Neste sábado, a entidade se reuniu em Belfast com as delegações que fazem parte do International Football Association Board (IFAB), espécie de diretório que se ocupa de proteger as regras do jogo. Em pauta, o grupo debateu medidas que pudessem "modernizar" o futebol, reduzir o impacto sobre a saúde de jogadores e tornar menos polêmico.

Mas a opção, por enquanto, é apenas de solicitar maiores informações, mais estudos e aguardar até que se tome decisões mais drásticas em pelo menos mais 12 meses. "Acreditamos que três substituições são adequadas para o futebol", indicou a IFAB.

Em fevereiro, o Estado revelou com exclusividade que a Fifa havia colocado o debate sobre a quarta substituição na agenda da reunião, numa indicação clara de que queria corrigir erros da Copa de 2014. O Mundial foi marcado por um número importante de partidas que foram para a prorrogação. O que o departamento médico da entidade entendeu é que os jogos caíram em qualidade depois dos 90 minutos e que a saúde dos jogadores passavam a ficar ameaçadas, quando muitos eram forçados a ficar em campo mesmo se arrastando.

Uma proposta de introduzir uma quarta substituição foi apresentada pela Conmebol e pelos EUA. Mas o grupo que é formado pela Fifa e pelas quatro federações britânicas optaram uma vez mais pelo conservadorismo.  "Não estamos fechando as portas. Mas, em 40 anos, passando de uma para três substituições e achamos que o número é adequado por enquanto", indicou a entidade, que repassou o assunto a um grupo de especialistas para nova avaliação até 2016.

VÍDEO

O que também foi rejeitado por enquanto é a introdução do vídeo para ajudar árbitros. Numa esperança de mostrar que ele pode modernizar o futebol, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, propôs durante a Copa do Mundo que replay fosse estabelecido em quatro ocasiões por jogo, à pedido dos técnicos de cada equipe.

Um teste já estava ocorrendo com a Federação Holandesa de Futebol, permitindo em alguns jogos o uso de vídeo como experimento. Os árbitros mantinham contato com outro juiz fora de campo e que estariam assistindo a partida por um vídeo. Se alguma dúvida surgisse, o árbitro poderia solicitar imediatamente o apoio.  

Mas a IFAB vetou a proposta e adiou o debate para 2016. "Não estamos rejeitando. Mas ainda não está claro e não há clareza sobre o que seria aprovado", declarou Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa. "Essa seria a maior decisão jamais adotada na história moderna do futebol e que teria um grande impacto", argumentou.

Entre os riscos avaliados está o fato de que o ritmo de jogo pode cair e que a autoridade do árbitro passará a ser questionada. "Precisamos entender o que é que significaria dizer sim", declarou Valcke.

SUBSTITUIÇÃO

Uma das medidas adotadas, porém, foi a autorização para que substituições temporárias de jogadores possam ser realizadas em jogos e ligas amadoras. Na Inglaterra, o teste seria realizado na 11ª divisão.

Outra medida aprovada foi o fim da "punição tripla", uma referência às regras que estabelecem que um jogador que seja derrubado prestes a fazer um gol deve ganhar um pênalti e ver seu oponente ser expulso e suspenso do próximo jogo.  

A ideia, que deve ser aprovada em março, é o fim da suspensão automática do jogador que tenha cometido a falta. 

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