Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

Fifa rejeitou participação de Del Nero por videoconferência em audiência final

Fato de não sair do Brasil foi utilizado pela Comitê de Ética para considerar sua punição permanente do futebol

Jamil Chade, Estadão Conteúdo

27 Abril 2018 | 20h02

O Comitê de Ética da Fifa usou o fato de o ex-presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, não sair do Brasil como um elemento para considerar sua punição permanente do futebol. Nesta sexta-feira, o cartola foi punido com banimento completo do esporte e multa de cerca de R$ 4 milhões por corrupção e gestão desleal.

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De forma totalmente sigilosa, o órgão da Fifa realizou uma audiência na última quarta-feira, em Zurique. Mas, segundo o Estado apurou, rejeitou o pedido de Del Nero para que participasse da reunião por meio de videoconferência. No início do processo, o dirigente foi autorizado a responder às perguntas de forma virtual, numa reunião que durou cinco horas e meia.

Indiciado nos EUA desde dezembro de 2015, Del Nero não sai do Brasil. O risco de qualquer viagem para fora do País é de que ele seja preso e extraditado aos Estados Unidos, para ser julgado.

Mas, durante a audiência secreta que contou inclusive com a investigadora Maria Claudia Rojas, a Fifa aproveitou a ausência do dirigente para destacar o fato de ele sequer poder fazer viagens ao exterior como um sinal de seus problemas legais. A versão foi imediatamente contestada por seus advogados, que o representaram na audiência.

O encontro ainda serviu para comprovar, uma vez mais, que a base do processo contra o ex-cartola foi justamente os indícios colhidos nos EUA, pelo FBI. No total, nove mil páginas de documentos foram enviados para a Fifa.

Os únicos documentos obtidos de forma independente pelo Comitê de Ética foram cartas que haviam solicitado à CBF e à Conmebol. O órgão pediu informações como o salário do dirigente na entidade brasileira e na associação sul-americana, assim como o número de contas utilizadas.

Apenas dois dias depois do encontro, em Zurique, a decisão foi de punir Del Nero com a pena máxima. A argumentação para a suspensão, porém, até agora não foi produzida, e a defesa do brasileiro aguarda os dados para poder entrar com recursos.

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