Marko Djurica / Reuters
Marko Djurica / Reuters

Fifa se recusa a fornecer áudio e vídeo de jogo Brasil x Suíça para CBF

Queixa brasileira abriu uma caixa de Pandora dentro da entidade máxima do futebol, que esperava se manter em total silêncio sobre a tecnologia

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2018 | 05h58

A Fifa não irá fornecer à CBF o áudio das conversas entre os árbitros e nem as imagens do jogo entre Brasil e Suíça. Nesta quarta-feira, a entidade respondeu à queixa dos brasileiros no que se refere à utilização do VAR durante a polêmica arbitragem do mexicano Cesar Ramos. Mas indicou que não irá revelar o conteúdo do texto.

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O que ficou claro é que a Fifa não aceitou repassar os áudios e imagens do jogo, bem como dos contatos entre os árbitros e a cabine de apoio do VAR, como a CBF havia solicitado. A entidade máxima do futebol, inclusive, saiu em defesa de seus árbitros. Mas a Confederação Brasileira considera que a ação foi positiva para "reacender o debate" e admite ter ficado satisfeita com a resposta recebida.

A queixa brasileira abriu uma caixa de Pandora dentro da Fifa, que esperava se manter em total silêncio sobre a tecnologia até o final da primeira fase da Copa do Mundo.

Oficialmente, a Comissão de Arbitragem se apressou em garantir que o juiz da partida não errou no lance envolvendo o gol de empate da Suíça e que o sistema funciona perfeitamente.

"Deve ser notado que a Fifa está extremamente satisfeita com o nível de arbitragem e a implementação êxitos do sistema VAR, que no geral foi positivamente aceita e apreciada dentro da comunidade do futebol", declarou a Fifa num comunicado na terça-feira.

 

"Reconhece-se que ainda haverá discussão e opiniões divididas sobre certas decisões", completou a Fifa, que prometeu uma coletiva de imprensa ao final da fase de grupos para avaliar a situação.

Em carta, a Fifa ainda sai em defesa de seu sistema. Segundo ela, o VAR não foi criado para resolver 100% dos casos polêmicos e de dúvidas durante um jogo e que ele é apenas acionado em caso de um erro "claro". A entidade ainda diz que todos os lances foram apitados corretamente, inclusive o gol da Suíça e o lance em que Gabriel Jesus cai na área.

Quanto à recusa em passar o áudio, a explicação dada era de que uma divulgação comprometeria o trabalho da arbitragem e a privacidade das comunicações entre os juízes. Numa resposta padrão, a Fifa assim tenta colocar um fim ao debate com o Brasil, deixando claro que não vai aceitar uma interferência em sua arbitragem. Para a CBF, porém, a iniciativa cumpriu seu papel, ao exigir que a Fifa avalie seus procedimentos.

Mas quem escancarou o problema foi Marco Van Basten, ex-jogador e hoje diretor técnico da Fifa. Para ele, houve um "erro" na arbitragem. "Tive várias discussões com pessoas dentro da Fifa sobre esse assunto nos últimos dias", explicou. "Acho que precisamos aprender com esse caso", defendeu. Segundo ele, os brasileiros agiram de forma correta ao se queixar em uma carta enviada para a Fifa.

Para Van Basten, isso não vai mudar o resultado do jogo. Mas pode ajudar a Fifa a avaliar seu próprio processo. "Não acha que o juiz deveria ter dado aquele gol", defendeu. "Essa é minha opinião pessoal", ponderou.

As declarações do ex-atacante holandês foram feitas ao Estado no lobby do hotel Radisson, usado pela Fifa como sua sede em Moscou durante a Copa do Mundo. Dentro da estrutura da entidade, o ex-jogador está abaixo da secretária-geral, Fatma Samoura, e de seu adjunto, o croata Zvonimir Boban, também ex-jogador do Milan. Ele foi escolhido para fazer parte do Grupo de Estudos Técnicos da Fifa e que vai avaliar a Copa do Mundo de 2018, no aspecto técnico e tático. A equipe ainda conta com Carlos Alberto Parreira, Emmanuel Amunike, Bora Milutinovic, Alessandro Nesta e Andy Roxburgh.

 

 

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