Maxim Zmeyev/Reuters
Maxim Zmeyev/Reuters

Fifa suspende processo de escolha da Copa do Mundo de 2026

Jérôme Valcke indica que 'não faria sentido' manter o cronograma

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2015 | 07h49

Com cinco Mundiais sob suspeita e uma guerra pelo poder nos bastidores, a Fifa cancela o processo de escolha da Copa de 2026.

Nesta quarta-feira, em coletiva de imprensa na Rússia, o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, indicou que "não faria sentido" manter o cronograma, principalmente diante da previsão de eleições na Fifa em dezembro deste ano para escolher um novo presidente. Uma carta será enviada a todas as 209 federações nacionais para explicar os motivos do adiamento. 

O FBI investiga a compra de votos para a Copa de 1998, 2010, 2018 e 2022. Além disso, quer saber detalhes dos contratos entre a Fifa e cartolas brasileiras para o Mundial de 2014. 

Para 2026, a Fifa havia estabelecido na semana passada que uma decisão sobre a sede seria votada em maio de 2017. O processo de avaliação de candidatos e exames técnicos começaria nos próximos meses. Canadá, México e EUA eram cotados como possíveis candidatos. Mas o presidente da Fifa, Joseph Blatter, deixou claro que a concorrência seria aberta "a todo o mundo". 

Para Valcke, porém, não existem condições para tratar das candidaturas. Blatter e ele mesmo sairão em dezembro, quando eleições devem ocorrer. Nos bastidores, a guerra pelo poder tem sido intensa. Além disso, vários dirigentes presos são da América do Norte, favorita para ter a Copa de 2026. 

Um dos principais promotores da ideia do Mundial de 2026 na região era Jeff Webb, ex-presidente da Concacaf e hoje preso em Zurique à pedido da Justiça dos EUA. 

RÚSSIA

Valcke também saiu em defesa do Mundial de 2018 na Rússia e, apesar das investigações, garante que não existe nada que prove que houve irregularidade na votação, em 2010. "Não há dúvidas de que os eventos da Copa de 2018 na Rússia ocorrerão em alto nível", disse. Para ele, "não existem indícios" de irregularidades. 

Valcke também se defendeu das acusações de que sabia do pagamento de US$ 10 milhões de autoridades sul-africanas para cartolas do Caribe. O FBI suspeita que o dinheiro seja o pagamento por votos para que a África do Sul ficasse com a sede da Copa de 2010. 

O dinheiro jamais apareceu nas contas da União de Futebol do Caribe, apesar de os sul-africanos indicarem que se tratava de um programa social. Mas o dinheiro passou pela Fifa e por Valcke, de acordo com documentos revelados. 

"Não entendo qual é o problema e por que sou um alvo nessa questão", disse Valcke. "Estou tentando ser o mais transparente que eu posso. Não era dinheiro da Fifa. Foi um pedido das autoridades sul-africanas", insistiu. 

Valcke ainda atacou a imprensa: "Vocês jornalistas decidiram que, depois de Blatter, eu sou o próximo a ter a cabeça cortada. Mas não digam que será por esses US$ 10 milhões". "Vocês são muito chatos", completou Valcke aos jornalistas.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.