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Fifa tem de parar de brincar sobre título do Palmeiras em 1951

Gianni Infantino, presidente da entidade, precisa se posicionar sobre a conquista do time brasileiro na Taça Rio daquele ano e parar de fazer gracinhas

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2022 | 05h00

A Fifa brinca com o Palmeiras sobre a conquista da Taça Rio de 1951. E isso tem de acabar. Ela precisa respeitar a história do time brasileiro e oficializar em todos os seus canais, mas sobretudo para a direção do clube, CBF e Conmebol sua decisão dos apelos do passado do Palmeiras de reivindicar a conquista do torneio como Mundial de Clubes. Sim ou não? 

No passado, Joseph Blatter, então presidente da Fifa, disse que o torneio de 1951 tinha peso de Mundial na época e assim seria ratificado como tal. Depois, na troca de bastão e de comando, Gianni Infantino mudou o entendimento e disse “não” ao reconhecimento.

Ocorre que dias antes de o Palmeiras entrar em campo contra o Chelsea, o site oficial da Fifa resgatou a polêmica ao questionar o atacante Rony da possibilidade de o seu time igualar o rival Corinthians em conquistas de Mundiais. Ora, o Corinthians tem duas taças da competição, em 2000 e 2012. O Palmeiras, se ganhasse do Chelsea, teria uma, a não ser que a Fifa considerasse a de 1951, uma vez que o Palmeiras perdeu as outras disputas em que esteve, em 1999, diante do Manchester United, de David Beckham, e no ano passado, quando ficou em quarto lugar.

Ora, o site oficial da Fifa, que chancela sua marca e história, não pode brincar com isso. Não pode, sobretudo diante de clubes brasileiros. Porque esse questionamento sobre a Copa Rio de 1951 merece muito mais do que uma simples resposta, ou mesmo brincadeirinhas sobre um assunto que envolve a paixão de milhões de torcedores no ainda chamado “País do Futebol”, o Brasil.

Se Infantino e seus pares da Fifa não sabem, que fiquem sabendo: no dia da final entre Palmeiras e Chelsea, um torcedor do time brasileiro morreu vítima de tiro durante o que deveria ser uma comunhão do futebol. O local onde apenas palmeirenses se reuniram para acompanhar a partida do Mundial, nas imediações do Allianz Parque, estádio do Palmeiras, se transformou em palco de guerra, principalmente porque no Brasil futebol é muito mais do que 90 minutos de bola rolando. As investigações da polícia vão elucidar o crime.

Não digo que esse exagero descabido de matar pelo futebol seja correto. Não é. Mas ele existe. Estamos cansados de ver situações parecidas de rivalidades em São Paulo e em outros Estados brasileiros. Mata-se pelo resultado de um jogo ou pelas gozações de uma derrota. A Fifa precisa entender que por estas bandas, o futebol é uma religião e que seus adeptos são capazes de cometer atrocidades para defender as cores de suas bandeiras.

Há até um música provocativa dos não palmeirenses sobre o Mundial, não sei se Infantino a conhece, mas ela é tocada em todos os cantos do País. Então, a Fifa não pode brincar com este assunto. E tem de se posicionar. Para os brasileiros, o Mundial é coisa séria. l 

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