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Fifa transfere Copa do Mundo de 2022, no Catar, para fim do ano

Mundial será disputado entre 21 de novembro e 18 dezembro

Jamil Chade - Zurique, O Estado de S. Paulo

19 Março 2015 | 14h36

Atualizado às 16h50

O dinheiro do Catar obriga o mundo do futebol a modificar de forma completa seu calendário internacional, afetando dezenas de torneios e forçando a Fifa a distribuir compensações e contratos para abafar uma rebelião. Nesta quinta-feira, depois de anos de debates e acusações, a Fifa colocou um fim à polêmica e estabeleceu que a Copa de 2022 ocorrerá entre novembro e dezembro, com a final dia 18.

Pela primeira vez em mais de 90 anos, o torneio ocorrerá fora do período de verão na Europa, forçando o Velho Continente a rever suas datas e seus contratos, para o desespero dos clubes. Todo o calendário terá de ser modificado nos quatro cantos do mundo a partir de 2018.

Fontes na Fifa admitiram ao Estado que o impacto será sentindo não apenas na Europa, mas no campeonato brasileiro, que terá de acabar ao início de novembro, torneios nos EUA, México, Argentina e dezenas de outros países. "Temos uma solução. Mas eu preferiria junho para a Copa", declarou Jeff Webb, presidente da Confederação Norte-Americana de Futebol.  

O projeto é de que o Mundial do Catar ocorrerá entre os dias 21 de novembro e 18 dezembro e, no fundo, é o reconhecimento de que, ao escolher a sede, os cartolas simplesmente ignoraram o fato de que seria impraticável jogar futebol no deserto no verão.

Pelos critérios da Fifa, quem organizasse a Copa teria de se comprometer a realizá-la em junho e julho. Mas, com recursos para convencer os membros da Fifa a dar o evento para o Catar, o país forçou um mal-estar internacional. Agora, a mudança está consolidada, deixando os demais países que se candidataram ao evento irritados. No lugar de enfrentar temperaturas acima de 40 graus Celsius, a Copa será disputada a cerca de 20 graus Celsius.

Os demais candidatos (EUA, Austrália e Japão) se queixaram de que o Catar ganhou a Copa não respeitando um dos principais critérios, que era o de não afetar o calendário internacional.

INGLESES

Para tentar atender aos ingleses, uma concessão da parte do Catar e da Fifa foi a de encurtar a Copa de 2022. No total, serão apenas 28 dias de Mundial, contra 32 no Brasil em 2014.

Isso evitaria uma final às vésperas do Natal, dia 23. Mas, acima de tudo, permitirá que a Liga Inglesa possa ter seus jogos retomados a partir do dia 26 de dezembro, uma velha tradição. Agora, os clubes também teriam um prejuízo menor.

Outra concessão foi a de acelerar a acordos comerciais com redes de TV dos EUA - Fox e Telemundo - para a Copa de 2026 como forma de compensar pelas perdas eventuais de 2022. O Mundial corre risco de ocorrer no mesmo momento em que as finais do futebol americano são disputadas.

COMPENSAÇÃO

Outro gesto foi o de aumentar o volume de dinheiro de " compensações " dados aos clubes europeus. Em 2022, os times receberão um total de R$ 655 milhões por emprestar seus jogadores às seleções nacionais.

A poderosa Associação de Clubes Europeus já deixou claro que não aceitará que sejam os maiores afetados pela mudança.

Segundo a Fifa, a Copa com início em novembro era "a única opção". Isso porque o mês de fevereiro será destinado para os Jogos Olímpicos de Inverno, em Almaty ou Pequim. A Fifa decidiu não abrir guerra contra o COI (Comitê Olímpico Internacional) e aceitou evitar um choque entre os dois eventos.

Já o Ramadã no mundo islâmico começa no dia 2 de abril, o que dificultaria as operações de um evento em um país muçulmano nesse período, preferido pelos clubes europeus.

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