Vallery Hache/AFP
Vallery Hache/AFP

Fifa usa árbitro de vídeo para atrair patrocínio

Auxílio aos juízes deve ser aprovado neste sábado pela International Board; objetivo é que seja usado na Copa da Rússia

Jamil Chade, correspondente em Genebra

03 Março 2018 | 07h00

A International Board (Ifab) e a Fifa devem dar nesta sábado o sinal verde ao uso do vídeo para auxiliar a arbitragem nos jogos de futebol, inclusive já na Copa de 2018. A decisão abre oficialmente nova era e promete incentivar emissoras, patrocinadores e empresas de ponta a investir na tecnologia, tanto nas transmissões como na gestão das partidas. 

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Ainda existem dúvidas sobre como o Árbitro Assistente de Vídeo (VAR, na sigla em inglês) afetará o ritmo das partidas. Mas a implantação, apesar das polêmicas, é apoiada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino. Segundo ele, testes em mais de mil jogos provaram que aumentou a precisão das decisões dos árbitros. O porcentual de erros caiu de 7% para apenas 1,1%. “Se podemos fazer algo para garantir que a Copa do Mundo não seja decidida por um erro, é nosso dever agir”, disse. 

Mas a resistência é grande. Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, garantiu ao Estado que o sinal verde da Ifab e da Fifa não significa que ele adotará o sistema na Liga dos Campeões. “Ainda vejo muita confusão. Precisamos treinar árbitros e educar os torcedores. Não podemos tomar uma decisão de forma acelerada.”

Acabar com os debates eternos sobre o que ocorre em campo, porém, não é o único objetivo. Desde 2015, a Fifa vem acumulando déficits e viu o fim de cinco acordos de patrocínio. Apenas para se defender nos tribunais, a Fifa gastou US$ 60 milhões em advogados nos últimos anos. Nem a chegada de cinco empresas chinesas para apoiar a entidade foi suficiente para equiparar ao valor obtido com a Copa de 2014, no Brasil. 

Com a nova tecnologia, o plano da Fifa é ter patrocinadores bancando cada uma das jogadas sob exame. Isso tudo, claro, com suas marcas expostas nas transmissões de todo o mundo durante a Copa de 2018. A busca é por empresas do setor de tecnologia dos EUA. Fontes na Fifa confirmaram ao Estado que uma das apostas da entidade é a de tornar as transmissões em um “show de tecnologia”. 

Estudos têm mostrado, segundo os especialistas, que o futebol ainda não acompanha os mesmos padrões de tecnologia e interatividade que hoje os esportes americanos revelam à audiência. Levantamentos realizados no Reino Unido mostraram que, em 2017, houve pela primeira vez uma desaceleração na expansão da audiência do futebol.

O vídeo, portanto, poderia ser apenas o início de um processo maior de incorporar a tecnologia nas transmissões. Na Espanha, os organizadores da Liga anunciaram ter fechado um acordo com a Intel para expandir a transmissão de replays de jogadas em 360 graus. Isso graças à tecnologia conhecida como True View, já adotada na NFL e NBA, nos EUA. Para que seja possível, 38 câmeras estão sendo instaladas gradativamente nos estádios.

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