Fifa usa tecnologia no gol, mas não cria padrão

Após a Copa das Confederações, cada federação interessada em utilizá-la estará livre para instalar o sistema, criando diferenças entre torneios e entre clubes

Jamil Chade e Leonardo Maia,

15 Junho 2013 | 08h08

RIO - A Fifa vai usar a tecnologia para detectar se a bola passou ou não da linha do gol. Mas, ao tentar solucionar uma velha polêmica do futebol, a entidade abriu outra, antes mesmo de colocar em prática o sistema.

A entidade não montou um padrão para a aplicação da tecnologia nos jogos. Após a Copa das Confederações, que será o primeiro evento de seleções a contar com a tecnologia, cada federação interessada em utilizá-la estará livre para instalar o sistema, criando diferenças entre torneios e entre clubes.

Por enquanto, quatro empresas estão autorizadas pela Fifa a fornecer a tecnologia aos clubes. Já a Uefa avisou que, em suas competições, prefere usar um árbitro atrás do gol e que não permitirá o uso da tecnologia na Copa dos Campeões, mesmo que uma federação nacional use o sistema em torneios nacionais. Sem regras, a situação pode transformar jogos em verdadeiros quebra-cabeças.

Uma partida da eliminatória de uma Copa entre duas seleções com modelos diferentes exigirá que elas entrem em acordos antes de cada jogo para autorizar o uso da tecnologia. “O uso da tecnologia não é uma obrigação”, declarou Massimo Busacca, presidente da Comissão de Arbitragem da Fifa.

Ele, porém, não deixou de criticar a decisão da Uefa de apenas colocar mais um árbitro atrás do gol, no lugar da tecnologia. “Uma coisa não substitui a outra”, insistiu.

A própria Fifa já está trocando de prestador dos serviços da tecnologia. Em Tóquio, no Mundial de Clubes de dezembro, o sistema adotado foi fornecido por uma empresa inglesa. Agora, o contrato foi concedido para a GoalLine, da Alemanha. Questionado sobre o motivo, Thierry Weil, diretor de marketing da Fifa, alegou que se tratava de um sistema melhor, sem dar detalhes sobre o motivo da mudança.

A Fifa sublinha que, em caso de dúvida ou de problemas com a tecnologia, valerá a decisão do árbitro. “Não queremos transformar os árbitros em robôs”, disse Thierry Weil, diretor de Marketing da Fifa. “É uma ajuda extra, algo que um humano não teria como ver. Mas a decisão final é do árbitro”, insistiu.

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